domingo, 3 de mayo de 2009

LA CRISIS EN BRASIL - SALIDA SOSTENIDA

Crise - Saída Sustentável.
Hoje, retomar o debate sobre "Integração Paralela da Economia" é quase uma obrigação da ABIDES, na medida em que a crise explicita a clara necessidade de novos mecanismos de desenvolvimento e reforma do sistema financeiro internacional e de modelagem da economia real. Na nossa visão o Brasil poderá se diferenciar e se apropriar de ganhos de competitividade se buscar um caminho novo na retomada do crescimento econômico, utilizando a criatividade que nos é característica, dentro de uma visão realista de uma nova economia, na qual o Estado não atuará mais somente para debelar crises geradas no mercado, mas passará a exercer um papel permanente e mais ativo como indutor do desenvolvimento e fiscalizador do mercado.
Crise – Saída Sustentável.
Neste momento de crise financeira internacional que afeta severamente o Brasil, retomar a discussão sobre a proposta da ABIDES denominada “Integração Paralela da Economia” é uma forma de oferecer às lideranças políticas do país uma nova forma de planejar o futuro econômico do Brasil.
Nesta conjuntura de crise nota-se a quebra de paradigmas que nortearam o processo de globalização nos últimos 30 anos. O principal paradigma quebrado é o prevalecimento do mercado, relativamente desregulado, como principal motor das economias tendo como centro o mercado financeiro. Os ativos financeiros e principalmente os derivativos inflaram uma bolha de papeis que em muito superaram a economia real, criando um ambiente de verdadeira jogatina causando a subavaliação de riscos por parte de dos diversos agentes econômicos, levando a um inexorável descolamento da realidade. Estes mesmos ativos foram desvalorizados com o desenvolvimento da crise, afetando diretamente a disponibilidade de crédito e criando uma crise de confiança, que somente agora apresenta sinais de leve recuperação em decorrência das intervenções dos bancos centrais.
Para minimizar os efeitos da crise os governos, de forma isolada ou articulada, passaram a atuar fortemente para salvar o sistema financeiro e minimizar os efeitos da crise deste sistema sobre a economia real. Recursos dos Bancos Centrais, portanto recursos públicos foram massiçamente mobilizados para salvar bancos, seguradoras e empresas, principalmente nos países centrais, onde o olho do furacão se localizou.
Exatamente este conjunto de países, que geraram a crise e se punham no papel de classificar riscos para investidores nos mercados emergentes, numa clara contradição, pois o risco maior estava concretamente neste conjunto, com ficou explicito na crise – mais um paradigma quebrado!
Fruto de reflexões de um grupo de consultores da ABIDES, a partir de análise elaborado pelo Engenheiro Everton Carvalho durante sua estada em Londres, de 2003 a 2004, como Coordenador Mundial da WANO (World Association of Nuclear Operators), quando teve a oportunidade de estabelecer contatos com especialistas da London School of Economics - LSE no tema do desenvolvimento sustentável, o conceito de “Integração Paralela da Economia” foi oferecido para o debate através da página da ABIDES na Internet e ações direcionadas a lideranças políticas no Congresso Nacional.
Nessa ocasião estava em plena vigência política conduzida pelo Ministro Palocci, que adotou a continuidade das políticas econômicas geradas pelo Plano Real. Não havia então clima para que novas idéias proliferassem, quando estas não eram vistas até com certa ironia, face à crença generalizada na infalibilidade dos mercados.
Hoje, retomar o debate sobre “Integração Paralela da Economia” é quase uma obrigação da ABIDES, na medida em que a crise explicita a clara necessidade de novos mecanismos de desenvolvimento e reforma do sistema financeiro internacional e de modelagem da economia real.
Na nossa visão o Brasil poderá se diferenciar e se apropriar de ganhos de competitividade se buscar um caminho novo na retomada do crescimento econômico, utilizando a criatividade que nos é característica, dentro de uma visão realista de uma nova economia, na qual o Estado não atuará mais somente para debelar crises geradas no mercado, mas passará a exercer um papel permanente e mais ativo como indutor do desenvolvimento e fiscalizador do mercado.
Temas como o Fundo Nacional de Desenvolvimento, acoplado a uma nova caderneta de poupança é um ponto que integra o novo plano da economia, que pode também incorporar um novo modelo para a agricultura no qual se garanta preços mínimos e um sistema de seguro para os produtores rurais, os resultados da reforma tributária e da inadiável reforma trabalhista.
Com isto a redução da informalidade será incentivada e os custos de pessoal das empresas serão reduzidos exatamente neste momento em que as recontratações são necessárias para reequilibrar o mercado de trabalho e reduzir o desemprego. Estas e outras propostas passam a integrar o Novo Plano da Economia proposto na metodologia da ABIDES, no sentido de se constituir num novo paradigma de aumento de produtividade, redução do Custo Brasil e aceleração do crescimento de forma sustentável.
Alguns conceitos introduzidos pelo Professor Partha Dasgupta, professor de economia da Universidade de Cambridge e Membro Honorário do LSE, relativos à qualidade do desenvolvimento dos países em desenvolvimento são incorporados pela ABIDES na sua proposta de saída sustentável da crise.
Em sua palestra em novembro de 2003 no LSE, o Professor Dasgupta aponta de forma critica que os economistas clássicos consideram que o crescimento do PIB dos países em desenvolvimento e a geração de capital nestes países seria a marca registrada do desenvolvimento. Aponta que o aparecimento do IDH foi adicionado à lista dos indicadores econômicos, mas que também “sofre de miopia”.
A palavra utilizada para mensurar o valor dos bens de capital de uma economia é a “riqueza”. Dizer que o valor do patrimônio aumentou significa que ocorreu uma acumulação geral de valores dos bens de capital. De acordo com o Professor, riqueza também deve incluir não somente “capital convencional” gerado pelas economias (estradas e edificações, maquinas e equipamentos, linhas de comunicação e distribuição de energia e portos, etc.), mas também o que é hoje denominado “capital humano” (conhecimentos e competências) e o chamado “capital natural” (petróleo e minerais cardumes de peixes, florestas e de uma forma mais abrangente os ecossistemas).
Para o interesse da nossa análise, o ponto principal levantado pelo Professor é sua conceituação do “investimento inclusivo”, em contrapartida com o tradicional “investimento contábil”. De acordo com ele, o investimento contábil pode ser positivo, mesmo que o investimento inclusivo seja negativo. Isto poderia ocorrer se o acúmulo do capital gerado e do capital humano destrói o degrada o capital natural a uma taxa elevada.
Em outras palavras, o Professor Dasgupta definiu em outros termos o que conceituamos como Desenvolvimento Sustentável, incorporado nas nossas formulações relativas à Integração Paralela da Economia. Riqueza inclusiva reflete algo como a capacidade econômica de sustentar o bem estar humano hoje e no futuro. Poderíamos dizer mais – sujeita a certas qualificações, um aumento na riqueza inclusiva por pessoa corresponde a uma melhoria na qualidade de vida das gerações presente e futuras. Uma acumulação de riqueza inclusiva corresponde, portanto ao Desenvolvimento Sustentável, ou seja, investimento inclusivo é assim uma chave do progresso econômico.
Incorporando estes conceitos no contexto da crise financeira que já se faz sentir de forma bem concreta no Brasil marcada pelas projeções de redução acentuada da atividade industrial, caminhando para a “recessão técnica” e pelo aumento significativo dos índices de desemprego, a metodologia “Integração Paralela da Economia” descrita em outros documentos da ABIDES cria as condições para que o Brasil transforme em realidade o seu potencial, internacionalmente reconhecido, de ser uma das economias emergentes com maiores condições de sair da crise e retomar o caminho do crescimento econômico.
Porém, esta saída não será convencional, pois uma nova economia se impõe, na qual a economia real será a base desta retomada e aqueles países que compreenderem que os mecanismos que impulsionaram o “falso boom” não mais existirão e mesmo se empregados só podem prolongar os efeitos da crise, a forma inteligente e diferenciadora será a criatividade proposta pela Integração Paralela da Economia.

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