BALANÇA COMERCIAL AL - Apesar de toda ajuda, o Brasil perde mercado na ALA corrente de comércio, a soma de exportações e importações, entre o Brasil e os países da América Latina e Caribe despencou 31,8% no primeiro quadrimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2008.
O valor alcançado pelo comércio entre esses parceiros e o Brasil somou US$ 15,5 bilhões, exportações de US$ 9,25 bilhões e importações de US$ 6,25 bilhões de janeiro a abril deste ano, ante os US$ 22,6 bilhões nos mesmos meses do ano passado, com vendas brasileiras de US$ 14,02 bilhões e compras dos vizinhos de US$ 8,66 bilhões. Resultado: o superávit brasileiro com a América Latina caiu 40%, de US$ 5,33 bilhões para US$ 3,01 bilhões - os números são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A América Latina é o principal mercado brasileiro de produtos manufaturados. Segundo os dados da Secretaria de Comércio Exterior, cerca de 87% da pauta de exportação para esse destino é composta de produtos de maior valor agregado. No ano passado a corrente de comércio alcançou US$ 79,85 bilhões, com um superávit de US$ 22,5 bilhões. Esse quadro obviamente irá mudar, como mostram os dados do primeiro quadrimestre. Essa perda de densidade comercial tem razões bem definidas. A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) atribuiu parte da queda nas vendas dos produtos brasileiros ao bloco latino à forte perda de espaço comercial para os produtos chineses. Os dirigentes da AEB lamentam a frágil posição adotada pelo Brasil nesse comércio insistindo em que o País tem sido "generoso demais" com os vizinhos, sem maiores contrapartidas. A associação lembra, com razão, que a perda de exportações para a China representa "menos emprego para os brasileiros". É preciso observar também que essa queda na participação das vendas para os vizinhos é muito influenciada pela redução da demanda dos argentinos, o maior importador de produtos manufaturados do Brasil. A AEB reconhece que a crise internacional também atingiu o poder de compra dos vizinhos, mas a grande reclamação não se dá pela queda de demanda, natural no contexto, mas pela troca de fornecedor. A China ocupou o espaço do manufaturado brasileiro, empurrado para fora do mercado argentino por barreiras comerciais. Um bom exemplo dessas barreiras comerciais impostas por Buenos Aires foram as que atingiram as exportações de carros brasileiros. Os números da Associação Nacional dos Fabricantes de veículos Automotores (Anfavea) são reveladores dessa perda de mercado. A Argentina, segundo a entidade, era a maior cliente da indústria automotiva brasileira por já ter representado 40% das compras externas dessa indústria. É fato que o recuo nas importações argentinas de carros brasileiros começou em 2006, quando Buenos Aires ainda comprou 843 mil unidades do Brasil. No ano seguinte, esse número caiu para 789 mil veículos, e em 2008 foram 735 mil. Porém, desde setembro do ano passado, a desaceleração das compras argentinas foi muito acentuada. Em outubro a Argentina comprou apenas 69 mil carros do Brasil; em novembro o volume despencou para 50,4 mil e em dezembro recuou ainda mais, até 44 mil unidades. Em janeiro, os argentinos compraram 23 mil veículos brasileiros. As porcentagens de queda não são diferentes no caso de outros produtos da cadeia de duráveis e de semiduráveis. É curiosa a reação de Brasília frente a essa política de portas fechadas ao produto brasileiro pelo sócio do Mercosul. Na primeira semana de março, o Itamaraty incumbiu os empresários brasileiros de negociar com seus concorrentes argentinos acordos setoriais de redução dos embarques de produtos nacionais para aquele mercado. Essa política atende à iniciativa do Planalto de desarmar os setores do próprio governo que pretendem organizar represálias comerciais a cada barreira que Buenos Aires (ou outros sócios do Mercosul) impõe aos produtos nacionais. Desde 2004, o presidente Lula tem preferido uma política de conciliação a cada uma dessas provocações comerciais dos vizinhos. O resultado dessa conciliação está bem exposto na brutal queda do superávit comercial com a América Latina e Caribe. Curiosamente, ontem Brasília colocou à disposição do governo argentino uma linha especial de financiamento de US$ 1,5 bilhão, em regime de swap, para reforçar as combalidas reservas internacionais argentinas. Nenhum pedido de contrapartida em relação às exportações brasileiras foi feito. Não é por outra razão que todos os vizinhos apenas aceitam a "proteção" chinesa que impõe condições claras de retorno para abrir seus mercados às commodities latinas. Enquanto isso a venda de manufaturados brasileiros apenas encolhe.
miércoles, 13 de mayo de 2009
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