domingo, 19 de julio de 2009

QUEDA DE LAS EXPORTACIONES DE BRASIL

NEGÓCIOS INTERNACIONAIS - Queda na exportação / Marco DamásioO caos econômico que vem tomando conta do país desde o final de 2008 continua ocasionando reflexo em vários setores da economia, principalmente as áreas que lidam com logística e comércio exterior.
A queda nas exportações de bens industrializados, de 22%, desde o agravamento da crise econômica, respondeu por mais da metade da retração de 16% da produção industrial brasileira no período. A conclusão consta de um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES. O desempenho das vendas internacionais afeta diretamente os fornecedores de bens de capital e bens intermediários à indústria exportadora, aumentando o impacto sobre a economia local. Sem dúvida, como todo prestador de serviços, nosso setor não foi poupado em nenhuma circunstância, por estarmos diretamente ligados aos movimentos gerados pelos nossos clientes, se ele vai mal, teremos uma forte tendência de seguirmos o mesmo caminho, sofremos em demasia com as oscilações do mercado, é uma reação em cadeia. Os efeitos diretos e indiretos do encolhimento do comércio internacional respondem por 50,3% do desempenho da indústria. O restante é consequência da retração do mercado interno, que, apesar de manter um nível de consumo elevado, viu os investimentos e a formação de estoques despencarem durante a crise. O Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) do Brasil destinará cerca de 646 bilhões de reais para serem aplicados no projeto até 2010. Entretanto, embora a ideia tenha em seu escopo a desburocratização e facilitação do comercio exterior brasileiro, esta percepção tem ocorrida de forma muito tênue. Existem inúmeros fatores favoráveis e desfavoráveis a implementação da infra-estrutura do comércio exterior brasileiro. Desde 1990, o país vem otimizando e desburocratizando o seu comércio exterior, que aliado a nossa sensibilidade a fatores externos como, por exemplo, a tragédia ocorrida nos EUA em 11 de setembro com as torres gêmeas, que desencadeou no mundo uma corrida à segurança que de certa forma era meio que desprezada, vem contribuindo para este desenvolvimento. A grande dificuldade logística recai sobre a histórica falta de previsibilidade do futuro em nossos projetos anteriores, como o caso do porto de Santos, que pela formação, impede o seu crescimento de forma lógica e racional, embora que a partir de sua privatização tenha encontrado em seus novos proprietários um desejo voraz de crescimento e expansão, conquistando a duras penas a modernização e agilização do fluxo cada vez maior de cargas, não é a toa que é o principal porto de destaque no Brasil e na América Latina. O objetivo do projeto brasileiro de modernização é de estar proporcionando aos seus clientes usuários um status de primeiro mundo. Estamos trabalhando para que nos tornemos não só uma referência nacional, mas também internacional, equiparáveis aos maiores portos do mundo, que tradicionalmente oferecem tratamento vip a todas as cargas que por eles passam, beneficiando tanto aos armadores como também aos seus usuários importadores e/ou exportadores.

martes, 7 de julio de 2009

ENXURRADA DE DOLARES PARA O BRASIL

O Brasil na onda dos investimentos .O mercado interno reprimido e a liberação de crédito atraem enxurrada de dólares para o País . (Adriana Nicacio )
Enquanto os Estados Unidos e a Europa continuam a sofrer os males de uma recessão profunda que ameaça se prolongar, o Brasil nada contra a maré internacional e volta a atrair investimentos. Como tem dito o ex-ministro Delfim Neto, o Brasil é "o peru com farofa" do mercado financeiro. A força do consumo interno, que ajudou o País a resistir aos momentos mais agudos da crise, mostra que o pior já passou para a economia brasileira. A visão que se tem do Brasil é clara: o País tem o sétimo mercado consumidor do mundo e só tende a avançar, pois apenas 35% da população participa da chamada "sociedade de consumo". O risco-país está em 306 pontos, contra a média de 471 das economias emergentes. Tudo isso explica a enxurrada de investimentos estrangeiros, que provocou a desvalorização do dólar para R$ 2, o menor valor nos últimos sete meses. Dados do Banco Central indicam que a entrada de investimento estrangeiro direto em abril mais que dobrou em relação a março, somando US$ 3,4 bilhões. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, nega que esse movimento seja efeito dos juros altos praticados no Brasil.
"Não. Os números mostram que, até agora, a entrada de dólares tem sido gerada pela retomada do crédito, o aumento das aplicações em bolsa e o investimento direto", diz Meirelles. "Estes investidores apontam que o Brasil vai superar a crise."
A equipe econômica reconhece que o País passou momentos difíceis no fim de 2008 e no começo deste ano, mas prefere não perder tempo com o que vê pelo retrovisor. O otimismo em relação ao futuro tomou conta do governo. Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, apesar da face negativa da apreciação do real, que é a queda na competitividade das exportações, a valorização do câmbio é prova de que o Brasil está se refazendo. "A confiança no País nos ajuda a sair mais rapidamente da crise", diz Mantega. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, garante que o Brasil não perdeu sua capacidade de receber investimentos. Apesar do agravamento da crise internacional, a expansão do crédito no Brasil foi de 25% nos últimos 12 meses, o que se refletiu na ampliação de projetos no setor petroquímico e no de produção de petróleo e gás. Segundo ele, os desembolsos do banco já somam mais de R$ 25 bilhões, com outros R$ 28 bilhões em projetos aprovados. "Levantamentos demonstram que os setores ligados à infraestrutura, em especial à geração de energia, também possuem boas perspectivas de crescimento", afirma Coutinho.
O projeto empresarial que recebeu o maior crédito no primeiro trimestre de 2009 no mundo é brasileiro, de acordo com a consultoria internacional Dealogic, especializada em mercado de investimentos. Trata-se do projeto Santo Antônio Energia, que captou R$ 6,2 bilhões para a construção da hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia. O empreendimento, que tem entre seus acionistas a Odebrecht e Furnas, é encabeçado pelos bancos Banif, de Portugal, e Santander, da Espanha. Também numa aposta de que o mercado interno voltará a se aquecer, a maior operadora de contêineres da América do Sul, a Santos Brasil Participações, decidiu retomar as obras de expansão do seu terminal em Santa Catarina e comprou seis novos portêineres (guindaste sobre trilhos que percorrem o costado do navio), uma novidade na América Latina. "Estamos pautados em uma possível retomada da economia", diz Washington Kao, diretor financeiro da Santos Brasil. A empresa ampliou sua previsão de investimentos de R$ 150 milhões para R$ 190 milhões e faz questão de ressaltar que nesta conta não entram as eventuais aquisições.
O vento, de fato, está soprando a favor do Brasil. O índice de confiança dos consumidores, calculado pela FGV, avançou 1,3%. O volume de crédito pessoal subiu 22% e a taxa de juros dos bancos comerciais tem caído, sob pressão do governo. Esses dados tornam o País uma ilha de prosperidade para os investidores estrangeiros, sem opções em seus mercados de origem. "As pessoas se esqueceram que agora, em maio, fez um ano que o Brasil conquistou o grau de investimento", lembra o professor e consultor da FGV/SP Robson Gonçalves. "Com a poeira baixando, o Brasil volta a colher os frutos disso, principalmente com a aversão ao risco voltando aos patamares normais."

CRISE DE 1929 VERSUS CRISE DE 2009

Lições da Crise dos anos 30Como no crash de 1929, o Brasil também foi um dos primeiros países a iniciar a retomada, mas errou no longo prazo
Diante da profundidade da crise internacional, a economia brasileira tem reagido de forma bastante positiva. Ainda que não seja uma "marolinha" (o PIB caiu 4,4%, a produção industrial caiu quase 10% e os investimentos caíram mais de 14%), o efeito sobre a economia brasileira tem sido menos drástico do que sobre a maioria das outras economias. Se, no curto prazo, nosso desempenho parece bom, o que devemos esperar para o longo prazo (crescimento e desigualdade)?
O comportamento da economia nesta crise decorre de um conjunto de políticas econômicas implementado desde o final dos anos 80. Entre estas, devemos destacar a abertura da economia, as privatizações (CSN, Vale, telefonia, energia, transportes, etc.), as reformas da previdência, ainda que incompletas, e do mercado de crédito, a política de ajuste fiscal, a geração de superávits primários, a redução da relação dívida/PIB, a política de câmbio flutuante e a autonomia operacional do Banco Central (BC).
Ainda que todos estes fatores sejam fundamentais, três deles merecem particular atenção: as privatizações, a queda da relação dívida/PIB e a autonomia do BC. Empresas estatais tendem a ser menos eficientes do que empresas privadas por razões estruturais. Portanto, a atuação do Estado deve se restringir àqueles setores em que, apesar de serem considerados fundamentais para o desenvolvimento do País, o setor privado não tem interesse em atuar. A privatização dos serviços de utilidade pública (telefonia, energia, transportes, etc.) foi particularmente importante para gerar ganhos de produtividade da economia.
Equilíbrio fiscal e relação dívida/PIB sob controle são fundamentais para que o serviço da dívida seja compatível com a capacidade de arrecadação do Estado. Caso contrário, a taxa de juros se torna muito elevada, gerando um ciclo vicioso que, no limite, pode levar ao calote da dívida, gerando desconfiança quanto à sustentabilidade do endividamento público.
A autonomia do BC é importante para evitar que o governo utilize a emissão de moeda para financiar seu déficit e gerar inflação. Inflação alta e menos previsível significa taxas de juros mais altas. Ou seja, Estado muito grande, desequilíbrio fiscal e inflação elevada geram aumento das taxas de juros. O principal efeito de taxas de juros mais elevadas, no longo prazo, é uma menor taxa de investimento. Como a taxa de crescimento da economia depende da taxa de investimento (em capital físico e em capital humano), o resultado é menor crescimento no longo prazo.
Manter estes fundamentos é essencial para que o País tenha um desempenho positivo quando a economia mundial retomar o crescimento. Na verdade, também em 1929, o Brasil foi um dos primeiros países a sair da crise. Enquanto a economia americana retomou o crescimento somente nos anos 40, já em 1933 o Brasil voltava a uma trajetória de crescimento positivo. Apesar disso, o desempenho de longo prazo da economia brasileira (nos 80 anos seguintes) não pode ser qualificado como muito brilhante.
Parte importante da explicação para esta má performance decorre de uma estratégia de crescimento que favoreceu o fechamento da economia, a excessiva participação do Estado, o desequilíbrio fiscal e a não autonomia do BC. A outra parte do resultado decorre da baixa importância que a sociedade brasileira deu à educação e a instituições microeconômicas pouco amigáveis ao investimento. Estas foram as lições que não aprendemos com a crise dos anos 30. Será que vamos aprender desta vez?
José Márcio Camargo é professor do departamento de economia da PUC/Rio e economista da Opus Gestão de Recursos

lunes, 6 de julio de 2009

BRASIL E O BRIC- ES HORA DE AVANZAR SOBRE LA CRISIS

É hora de avançar
Na comparação com seus parceiros do Bric, o Brasil apresenta muitas vantagens - avanço econômico sólido, energia de sobra, exportações diversificadas e democracia vigorosa. A crise pode abrir espaço para um novo salto (30/10/2008) .
Por Michael Reid
Há exatos dez anos, em agosto de 1998, a Rússia dava o calote em sua dívida e desvalorizava o rublo. Na visão de muitos investidores financeiros, o Brasil, com sua taxa de câmbio atrelada ao dólar e grande déficit em conta corrente, era o próximo da fila, a "bola da vez". Quatro meses depois veio a traumática desvalorização do real, que o governo Fernando Henrique Cardoso se esforçara muito para evitar, com um grande custo financeiro para o país. Muitos comentaristas viram na desvalorização a derrota do Plano Real e do empenho de FHC em estabilizar e modernizar o Brasil. Na verdade, ela marcou a consolidação da nascente estabilidade do país e criou o trampolim para o crescimento. Como chefe da sucursal da revista The Economist em São Paulo entre 1996 e 1999, convenci-me de que o Brasil estava engajado num processo de reforma democrática e modernização econômica que, apesar de lento, paulatino e cercado de problemas, era sólido e duradouro, como escrevi na época. Mas foi preciso quase uma década para esse esforço dar frutos e tornar-se visível para aqueles cujo conhecimento do Brasil se limita a estereótipos datados. Um primeiro revés surgiu em 2001, com os blecautes e as reverberações do colapso financeiro na Argentina. A conversão de Luiz Inácio Lula da Silva à causa da estabilidade econômica - uma contribuição vital para o sucesso do país - veio tarde demais para impedir outro surto de nervosismo financeiro em 2002. Para conter a decorrente elevação acentuada da inflação, foi preciso um ano de taxas de juro altas e estagnação. Depois, o escândalo do mensalão levantou o espectro da instabilidade política. Mais uma vez, o Brasil parecia ter um desempenho aquém de seu potencial - como sempre, o país do futuro distante. Há dois anos apenas, ainda era grande o ceticismo no exterior sobre a possibilidade de o Brasil realmente pertencer ao Bric, o clube de grandes países em desenvolvimento que, para economistas do Goldman Sachs, dominarão a economia mundial até 2030. Comparado com os outros - Rússia, Índia e China -, o Brasil era visto como uma tartaruga econômica, contida por uma taxa de crescimento morosa, altas taxas de juro, desempenho educacional fraco, infra-estrutura deficiente, desigualdades profundas, violência e uma dificuldade generalizada para fazer negócios. A maioria desses problemas é real. Mas o Brasil hoje se coloca entre os países do Bric mais por seus méritos comparativos que por seus defeitos. A China sempre será um caso à parte em razão de seu tamanho. Mas os protestos no Tibete e a violência em Xinjiang durante os preparativos para os Jogos Olímpicos foram um lembrete de que seu regime político autoritário esconde uma instabilidade potencial. Alguns analistas começam a perceber que, apesar de toda a força de suas empresas de alta tecnologia e sua elite que fala perfeitamente o inglês, a Índia ainda é muito pobre, não dispõe de uma infra-estrutura moderna e enfrenta conflitos religiosos. E, nos últimos meses, a Rússia lembrou ao mundo por que ela é uma aposta arriscada. Sua resposta brutal à malfadada tentativa da Geórgia de retomar a Ossétia do Sul afugentou investidores estrangeiros. O governo autoritário da Rússia a torna inerentemente imprevisível. E sua economia depende pesadamente de petróleo e gás natural. Agora, outra vez a moeda brasileira e a bolsa estão caindo. Desta vez, as causas do nervosismo são majoritariamente externas. Os próximos meses vão colocar à prova a estabilidade brasileira. Ainda assim, é preciso destacar que o Brasil tem, comparativamente, muitas vantagens. Seu crescimento econômico pode não ser espetacular, mas avançou solidamente. O nível atual de 5% pode parecer minúsculo comparado ao da China ou ao da Índia, mas o Brasil está crescendo sobre uma base muito superior: sua renda per capita está em 4 720 dólares, ante 2 010 dólares da China e 820 dólares da Índia, segundo dados do Banco Mundial. O Brasil já teve sua "fase chinesa", com crescimento em torno da média anual de 9% dos anos 50 aos 70, sustentado por uma combinação do trabalho de migrantes do campo com o capital industrial. Diferentemente da Rússia (e da Venezuela), o crescimento brasileiro não depende hoje de uma única commodity: suas exportações variam de minério de ferro, soja e suco de laranja a carros e aviões a jato. Acima disso tudo, o Brasil tem a possibilidade de vir a ser uma superpotência energética graças ao etanol de cana-de-açúcar e às novas descobertas de petróleo. Boa parte do crescimento está sendo gerada pela expansão da demanda doméstica. Isso é um tributo ao sucesso da estrutura política construída após a desvalorização de 1999, com taxa de câmbio flutuante, metas de inflação estabelecidas por um Banco Central operacionalmente independente e uma meta fiscal que envolve grandes superávits primários para reduzir gradualmente os encargos da dívida pública. Essas políticas provaram seu valor no ano passado, quando países de todo o mundo foram atingidos pelos demônios gêmeos de preços recordes do petróleo e escassez de crédito. Os investidores notaram a ação firme do Banco Central, elevando por diversas vezes a taxa Selic neste ano para enfrentar o aumento da inflação, induzido pelos altos preços internacionais do petróleo e dos alimentos. A aparente determinação do BC, a despeito dos uivos de protestos (de alguns setores do governo inclusive), oferece motivos para confiar num arcabouço firme e estável para o crescimento. A nova imagem internacional do Brasil não decorre apenas de seu crescimento, suas políticas econômicas e seus padrões de comércio. Também se deve ao fato de que, à diferença de China ou Rússia, o Brasil tem uma democracia cada vez mais robusta. O progresso social é palpável. A proporção de brasileiros vivendo na pobreza caiu de 48% em 1990 para 33% em 2006, segundo a Comissão das Nações Unidas para América Latina e Caribe. Pela primeira vez em décadas, a desigualdade está diminuindo de maneira consistente - ao contrário do que acontece na China e na Índia. E, como assinalou o economista Marcelo Néri, da Fundação Getulio Vargas, os jovens adultos agora entram na força de trabalho com três anos a mais de escolaridade do que no início dos anos 90. É essa combinação de crescimento estável, base diversificada de recursos naturais, política democrática relativamente previsível e progresso social que está criando uma sociedade de classe média que atraiu a atenção externa para o Brasil nos últimos dois anos. Essa mudança de atitude é simbolizada num aporte recorde de 35 bilhões de dólares em investimento estrangeiro direto no ano passado e na concessão de uma avaliação de crédito com grau de investimento no início deste ano. Isso se reflete também na decisão da União Européia de estabelecer "uma parceria estratégica" com o Brasil. Mas as tormentas das últimas semanas sublinham que ainda é cedo para os brasileiros cantarem vitória, pedirem outra caipirinha e irem para a praia. O desempenho econômico foi bastante favorecido, nos últimos anos, pela alta dos preços de suas exportações de commodities. Mas, com a economia mundial entrando em recessão, os preços das commodities estão em queda livre. Essa percepção já está enfraquecendo o real. Se fosse moderada e gradual, a desvalorização da moeda daria um benéfico impulso às exportações de não-commodities do Brasil. Mas é abrupta. Aumentará as pressões inflacionárias e poderá exigir a manutenção de taxas de juro relativamente altas por algum tempo. Isso, por sua vez, pode causar problemas a uma classe média cada vez mais endividada, cujo novo status ainda é frágil. O impacto no balanço das empresas significa que o crescimento desacelerará fortemente no próximo ano. Assim, seria útil que uma política fiscal mais dura desse "um pouco mais de ajuda" no combate à inflação, como observou recentemente o presidente do BC, Henrique Meirelles. Se há uma vantagem na crise, é a possibilidade de que o governo perca o sentimento de ter ganhado na loteria com o petróleo do pré-sal. Os grandes descobrimentos de petróleo induzem um senso de complacência de que os políticos precisam apenas "administrar a abundância", na notória frase de José López Portillo, presidente do México quando este descobriu um grande campo novo de petróleo. (López Portillo acabou presidindo a bancarrota de seu país em 1982.) Com o petróleo caindo para cerca de 50 dólares o barril, é evidente que a exploração do pré-sal será mais lenta. A crise pode também fazer com que os políticos percebam que o Brasil poderia estar muito melhor. O emprego formal vem crescendo, mas o código trabalhista de Mussolini, abrasileirado por Getúlio Vargas, continua condenando muitos brasileiros à pobreza e à baixa produtividade da economia informal. O governo ainda tira muito em impostos e dá muito pouco em serviços de qualidade em troca. O sistema de previdência social precisa ser reformado. As infra-estruturas de transporte e de energia elétrica precisam de mais investimentos. Sobretudo, a qualidade da educação continua desastrosa, como mostraram os testes do estudo Pisa, da OCDE, que avalia estudantes em mais de 60 países. E a violência pode ter começado a diminuir, mas continua assustadoramente alta. A combinação entre educação fraca e violência, a menos que seja enfrentada, limitará a queda da pobreza e da desigualdade. Não há dúvida de que o sistema financeiro internacional precisa de regulação mais forte e melhor. Mas, para o Brasil, o risco maior agora é que os políticos tirem conclusões erradas da crise. Com seu projeto de estatizar os fundos previdenciários privados da Argentina, a presidente Cristina Kirchner tem levantado o espectro de uma volta ao estatismo dos anos 70 na América do Sul. Se o Brasil tentar segui-la nesse caminho, estará jogando fora boa parte do que avançou na última década.
Por favor, informe seus dados na caixa à direita para ler o restante do texto.

domingo, 24 de mayo de 2009

CRISE BRASIL : REDUÇÃO DE INVESTIMENTOS

. Vale reduz em mais de um terço os investimentos de 2009. A Vale, segunda maior exportadora do país, reduziu em 37% seus investimentos anunciados para 2009 – de US$ 14,2 bilhões para US$ 9,03 bilhões. A mineradora diz que a revisão se deve à valorização do real, que reduziu seus custos e permitiu que fossem feitos aportes com menos dinheiro. Atrasos em licenças ambientais também teriam levado a um “stand-by” dos projetos. “A empresa não atribuiu à crise o corte de investimentos, mas é natural rever projetos em momentos de forte desaceleração do consumo global de minério de ferro”, diz a reportagem. Ainda mais quando a produção caiu 25,9% no primeiro trimestre de 2009, em comparação com os últimos três meses de 2008, por conta de uma “redução de demanda sem precedentes”, como informou a companhia.
5. Crise já abre brecha para corte na meta de inflaçãoO Valor Econômico (íntegra para assinantes) informa que o cenário de crise financeira global pode levar o Brasil a rever para baixo sua meta de inflação a partir de 2011 – há sete anos, levando em conta a projeção já feita até 2010, a meta está em 4,5%. O Conselho Monetário Nacional vai definir o patamar para 2011 no mês que vem, algo fundamental para o primeiro ano de mandato do governo pós-Lula. “A experiência de Israel, que aproveitou uma grave recessão no início da década para reduzir permanentemente seu patamar de inflação, é uma referência no debate dentro do governo”, diz a reportagem.
6. Emergentes podem sair da crise antes dos EUA, diz EconomistA respeitada revista britânica The Economist traz, na edição deste fim de semana, uma reportagem em que defende a tese do “descolamento”, segundo a qual os principais países emergentes (Brasil, China e Índia) podem se recobrar da crise financeira de uma forma mais rápida que os Estados Unidos. De acordo com a publicação, que reformulou uma teoria semelhante apresentada ainda em 2008, essas nações seriam menos dependentes do mercado americano do que se imaginava e estariam mais organizadas para contornar os problemas de outros parceiros. O principal exemplo é a China, que pode fechar o ano com um crescimento do PIB em torno de 8%.

miércoles, 13 de mayo de 2009

CRISE BALANZA COMERCIAL CON AMERICA LATINA

BALANÇA COMERCIAL AL - Apesar de toda ajuda, o Brasil perde mercado na ALA corrente de comércio, a soma de exportações e importações, entre o Brasil e os países da América Latina e Caribe despencou 31,8% no primeiro quadrimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2008.
O valor alcançado pelo comércio entre esses parceiros e o Brasil somou US$ 15,5 bilhões, exportações de US$ 9,25 bilhões e importações de US$ 6,25 bilhões de janeiro a abril deste ano, ante os US$ 22,6 bilhões nos mesmos meses do ano passado, com vendas brasileiras de US$ 14,02 bilhões e compras dos vizinhos de US$ 8,66 bilhões. Resultado: o superávit brasileiro com a América Latina caiu 40%, de US$ 5,33 bilhões para US$ 3,01 bilhões - os números são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A América Latina é o principal mercado brasileiro de produtos manufaturados. Segundo os dados da Secretaria de Comércio Exterior, cerca de 87% da pauta de exportação para esse destino é composta de produtos de maior valor agregado. No ano passado a corrente de comércio alcançou US$ 79,85 bilhões, com um superávit de US$ 22,5 bilhões. Esse quadro obviamente irá mudar, como mostram os dados do primeiro quadrimestre. Essa perda de densidade comercial tem razões bem definidas. A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) atribuiu parte da queda nas vendas dos produtos brasileiros ao bloco latino à forte perda de espaço comercial para os produtos chineses. Os dirigentes da AEB lamentam a frágil posição adotada pelo Brasil nesse comércio insistindo em que o País tem sido "generoso demais" com os vizinhos, sem maiores contrapartidas. A associação lembra, com razão, que a perda de exportações para a China representa "menos emprego para os brasileiros". É preciso observar também que essa queda na participação das vendas para os vizinhos é muito influenciada pela redução da demanda dos argentinos, o maior importador de produtos manufaturados do Brasil. A AEB reconhece que a crise internacional também atingiu o poder de compra dos vizinhos, mas a grande reclamação não se dá pela queda de demanda, natural no contexto, mas pela troca de fornecedor. A China ocupou o espaço do manufaturado brasileiro, empurrado para fora do mercado argentino por barreiras comerciais. Um bom exemplo dessas barreiras comerciais impostas por Buenos Aires foram as que atingiram as exportações de carros brasileiros. Os números da Associação Nacional dos Fabricantes de veículos Automotores (Anfavea) são reveladores dessa perda de mercado. A Argentina, segundo a entidade, era a maior cliente da indústria automotiva brasileira por já ter representado 40% das compras externas dessa indústria. É fato que o recuo nas importações argentinas de carros brasileiros começou em 2006, quando Buenos Aires ainda comprou 843 mil unidades do Brasil. No ano seguinte, esse número caiu para 789 mil veículos, e em 2008 foram 735 mil. Porém, desde setembro do ano passado, a desaceleração das compras argentinas foi muito acentuada. Em outubro a Argentina comprou apenas 69 mil carros do Brasil; em novembro o volume despencou para 50,4 mil e em dezembro recuou ainda mais, até 44 mil unidades. Em janeiro, os argentinos compraram 23 mil veículos brasileiros. As porcentagens de queda não são diferentes no caso de outros produtos da cadeia de duráveis e de semiduráveis. É curiosa a reação de Brasília frente a essa política de portas fechadas ao produto brasileiro pelo sócio do Mercosul. Na primeira semana de março, o Itamaraty incumbiu os empresários brasileiros de negociar com seus concorrentes argentinos acordos setoriais de redução dos embarques de produtos nacionais para aquele mercado. Essa política atende à iniciativa do Planalto de desarmar os setores do próprio governo que pretendem organizar represálias comerciais a cada barreira que Buenos Aires (ou outros sócios do Mercosul) impõe aos produtos nacionais. Desde 2004, o presidente Lula tem preferido uma política de conciliação a cada uma dessas provocações comerciais dos vizinhos. O resultado dessa conciliação está bem exposto na brutal queda do superávit comercial com a América Latina e Caribe. Curiosamente, ontem Brasília colocou à disposição do governo argentino uma linha especial de financiamento de US$ 1,5 bilhão, em regime de swap, para reforçar as combalidas reservas internacionais argentinas. Nenhum pedido de contrapartida em relação às exportações brasileiras foi feito. Não é por outra razão que todos os vizinhos apenas aceitam a "proteção" chinesa que impõe condições claras de retorno para abrir seus mercados às commodities latinas. Enquanto isso a venda de manufaturados brasileiros apenas encolhe.

BANCOS INOVADORES PARA A CRISE

Phelps quer criar bancos inovadores
Proposta anticrise do economista americano Edmund S. Phelps é criar uma nova classe de bancos, voltados a financiar investimentos empresariais inovadores. Phelps: "BC brasileiro é provavelmente um dos que possuem julgamento mais sólido"
Criar uma nova classe de bancos, voltados a financiar investimentos empresariais inovadores - essa é a proposta anticrise do economista americano Edmund S. Phelps, ganhador do Nobel de 2006. Em entrevista ao Valor, ele sugeriu que essas instituições deveriam receber subsídios para cada dólar emprestado.
Phelps apoia o plano de Obama, mas acredita que ele demorou para colocar os bancos "em pé, emprestando". E considera perigoso tentar tornar a economia mais inovadora por meio de iniciativas de agências governamentais, que estão longe da realidade comercial e são politizadas.
Ele diz que o Brasil sairá mais rápido da crise por causa da recuperação das commodities. E faz uma sugestão: "Não sejam muito duros com o Banco Central", porque na atual situação "é impossível fazer todo mundo feliz".

viernes, 8 de mayo de 2009

MELHORA O SETOR INDUSTRIAL NO BRASIL

>Vendas da indústria dão sinais de recuperação, mas estão abaixo dos níveis do ano passado Stênio Ribeiro Repórter da Agência Brasil ,7 de maio de 2009.
Brasília - Os indicadores industriais de março, divulgados hoje (7) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostram que a atividade do setor esteve reprimida no primeiro trimestre do ano, em relação aos últimos três meses de 2008. Mas os números já apresentam alguns sinais de recuperação.
As vendas reais da indústrias cresceram 2,9% durante o mês de março, em comparação a fevereiro. Foi a segunda alta seguida, de acordo com os dados da CNI. A capacidade instalada que indica o quanto uma indústria está usando de suas máquinas também subiu em março, após cinco meses seguidos em queda. Esse indicador passou de 78,2%, em fereveiro, para 78,7%.
Mas o crescimento das vendas e da capacidade instalada ainda não é acompanhado pelas variáveis de horas trabalhadas, que recuaram 0,2% em março. O emprego industrial caiu 0,7%.
Segundo o levantamento da CNI, os movimentos positivos ainda “são insuficientes para afirmar que o início da recuperação da atividade industrial está em curso”. Pois as expansões das vendas e da capacidade instalada se deveram em grande parte à fraca base de comparação do mês de fevereiro.
O que corrobora a avaliação de que a atividade industrial está reprimida “é o fato de todos os indicadores médios do primeiro trimestre [de 2009] registrarem queda na comparação com o último trimestre de 2008”.
Nos primeiros três meses deste ano, as vendas reais caíram 3,4%, comparadas ao último trimestre de 2008. As horas trabalhadas diminuíram 5,6%. Houve queda de 2,6% no emprego e de 2,6 pontos percentuais no indicador de capacicade instalada.

jueves, 7 de mayo de 2009

BRASIL MAS RETIROS QUE AHORROS

Poupança tem mais saques do que depósitos pelo segundo mês seguido Kelly Oliveira Repórter da Agência Brasil , 7 de mayo de 2009 .
Brasília - As retiradas da caderneta de poupança superaram os depósitos em abril, segundo dados divulgados hoje (7) pelo Banco Central.
Com isso, a captação líquida, resultado de depósitos de R$ 90,463 bilhões e de retiradas de R$ 91,405 bilhões, ficou negativa em R$ 941,549 milhões. O saldo das cadernetas da poupança chegou a R$ 275,315 bilhões no dia 30 de abril.
Segundo o BC, abril foi o segundo mês seguido de captação líquida negativa. Em março, o resultado havia sido de R$ 846,803 milhões negativos.
A poupança é remunerada pelo Taxa Referencial mais 0,5% ao mês e não há incidência de Imposto de Renda ou taxa de administração. Depois das reduções da taxa básica de juros, a Selic, há o temor do governo de que ocorra uma migração das aplicações em títulos, remunerados pela Selic, de fundos de investimentos para a poupança.
Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu, entretanto, que quando houver as mudanças não haverá prejuízo para os poupadores.

domingo, 3 de mayo de 2009

LA CRISIS EN BRASIL - SALIDA SOSTENIDA

Crise - Saída Sustentável.
Hoje, retomar o debate sobre "Integração Paralela da Economia" é quase uma obrigação da ABIDES, na medida em que a crise explicita a clara necessidade de novos mecanismos de desenvolvimento e reforma do sistema financeiro internacional e de modelagem da economia real. Na nossa visão o Brasil poderá se diferenciar e se apropriar de ganhos de competitividade se buscar um caminho novo na retomada do crescimento econômico, utilizando a criatividade que nos é característica, dentro de uma visão realista de uma nova economia, na qual o Estado não atuará mais somente para debelar crises geradas no mercado, mas passará a exercer um papel permanente e mais ativo como indutor do desenvolvimento e fiscalizador do mercado.
Crise – Saída Sustentável.
Neste momento de crise financeira internacional que afeta severamente o Brasil, retomar a discussão sobre a proposta da ABIDES denominada “Integração Paralela da Economia” é uma forma de oferecer às lideranças políticas do país uma nova forma de planejar o futuro econômico do Brasil.
Nesta conjuntura de crise nota-se a quebra de paradigmas que nortearam o processo de globalização nos últimos 30 anos. O principal paradigma quebrado é o prevalecimento do mercado, relativamente desregulado, como principal motor das economias tendo como centro o mercado financeiro. Os ativos financeiros e principalmente os derivativos inflaram uma bolha de papeis que em muito superaram a economia real, criando um ambiente de verdadeira jogatina causando a subavaliação de riscos por parte de dos diversos agentes econômicos, levando a um inexorável descolamento da realidade. Estes mesmos ativos foram desvalorizados com o desenvolvimento da crise, afetando diretamente a disponibilidade de crédito e criando uma crise de confiança, que somente agora apresenta sinais de leve recuperação em decorrência das intervenções dos bancos centrais.
Para minimizar os efeitos da crise os governos, de forma isolada ou articulada, passaram a atuar fortemente para salvar o sistema financeiro e minimizar os efeitos da crise deste sistema sobre a economia real. Recursos dos Bancos Centrais, portanto recursos públicos foram massiçamente mobilizados para salvar bancos, seguradoras e empresas, principalmente nos países centrais, onde o olho do furacão se localizou.
Exatamente este conjunto de países, que geraram a crise e se punham no papel de classificar riscos para investidores nos mercados emergentes, numa clara contradição, pois o risco maior estava concretamente neste conjunto, com ficou explicito na crise – mais um paradigma quebrado!
Fruto de reflexões de um grupo de consultores da ABIDES, a partir de análise elaborado pelo Engenheiro Everton Carvalho durante sua estada em Londres, de 2003 a 2004, como Coordenador Mundial da WANO (World Association of Nuclear Operators), quando teve a oportunidade de estabelecer contatos com especialistas da London School of Economics - LSE no tema do desenvolvimento sustentável, o conceito de “Integração Paralela da Economia” foi oferecido para o debate através da página da ABIDES na Internet e ações direcionadas a lideranças políticas no Congresso Nacional.
Nessa ocasião estava em plena vigência política conduzida pelo Ministro Palocci, que adotou a continuidade das políticas econômicas geradas pelo Plano Real. Não havia então clima para que novas idéias proliferassem, quando estas não eram vistas até com certa ironia, face à crença generalizada na infalibilidade dos mercados.
Hoje, retomar o debate sobre “Integração Paralela da Economia” é quase uma obrigação da ABIDES, na medida em que a crise explicita a clara necessidade de novos mecanismos de desenvolvimento e reforma do sistema financeiro internacional e de modelagem da economia real.
Na nossa visão o Brasil poderá se diferenciar e se apropriar de ganhos de competitividade se buscar um caminho novo na retomada do crescimento econômico, utilizando a criatividade que nos é característica, dentro de uma visão realista de uma nova economia, na qual o Estado não atuará mais somente para debelar crises geradas no mercado, mas passará a exercer um papel permanente e mais ativo como indutor do desenvolvimento e fiscalizador do mercado.
Temas como o Fundo Nacional de Desenvolvimento, acoplado a uma nova caderneta de poupança é um ponto que integra o novo plano da economia, que pode também incorporar um novo modelo para a agricultura no qual se garanta preços mínimos e um sistema de seguro para os produtores rurais, os resultados da reforma tributária e da inadiável reforma trabalhista.
Com isto a redução da informalidade será incentivada e os custos de pessoal das empresas serão reduzidos exatamente neste momento em que as recontratações são necessárias para reequilibrar o mercado de trabalho e reduzir o desemprego. Estas e outras propostas passam a integrar o Novo Plano da Economia proposto na metodologia da ABIDES, no sentido de se constituir num novo paradigma de aumento de produtividade, redução do Custo Brasil e aceleração do crescimento de forma sustentável.
Alguns conceitos introduzidos pelo Professor Partha Dasgupta, professor de economia da Universidade de Cambridge e Membro Honorário do LSE, relativos à qualidade do desenvolvimento dos países em desenvolvimento são incorporados pela ABIDES na sua proposta de saída sustentável da crise.
Em sua palestra em novembro de 2003 no LSE, o Professor Dasgupta aponta de forma critica que os economistas clássicos consideram que o crescimento do PIB dos países em desenvolvimento e a geração de capital nestes países seria a marca registrada do desenvolvimento. Aponta que o aparecimento do IDH foi adicionado à lista dos indicadores econômicos, mas que também “sofre de miopia”.
A palavra utilizada para mensurar o valor dos bens de capital de uma economia é a “riqueza”. Dizer que o valor do patrimônio aumentou significa que ocorreu uma acumulação geral de valores dos bens de capital. De acordo com o Professor, riqueza também deve incluir não somente “capital convencional” gerado pelas economias (estradas e edificações, maquinas e equipamentos, linhas de comunicação e distribuição de energia e portos, etc.), mas também o que é hoje denominado “capital humano” (conhecimentos e competências) e o chamado “capital natural” (petróleo e minerais cardumes de peixes, florestas e de uma forma mais abrangente os ecossistemas).
Para o interesse da nossa análise, o ponto principal levantado pelo Professor é sua conceituação do “investimento inclusivo”, em contrapartida com o tradicional “investimento contábil”. De acordo com ele, o investimento contábil pode ser positivo, mesmo que o investimento inclusivo seja negativo. Isto poderia ocorrer se o acúmulo do capital gerado e do capital humano destrói o degrada o capital natural a uma taxa elevada.
Em outras palavras, o Professor Dasgupta definiu em outros termos o que conceituamos como Desenvolvimento Sustentável, incorporado nas nossas formulações relativas à Integração Paralela da Economia. Riqueza inclusiva reflete algo como a capacidade econômica de sustentar o bem estar humano hoje e no futuro. Poderíamos dizer mais – sujeita a certas qualificações, um aumento na riqueza inclusiva por pessoa corresponde a uma melhoria na qualidade de vida das gerações presente e futuras. Uma acumulação de riqueza inclusiva corresponde, portanto ao Desenvolvimento Sustentável, ou seja, investimento inclusivo é assim uma chave do progresso econômico.
Incorporando estes conceitos no contexto da crise financeira que já se faz sentir de forma bem concreta no Brasil marcada pelas projeções de redução acentuada da atividade industrial, caminhando para a “recessão técnica” e pelo aumento significativo dos índices de desemprego, a metodologia “Integração Paralela da Economia” descrita em outros documentos da ABIDES cria as condições para que o Brasil transforme em realidade o seu potencial, internacionalmente reconhecido, de ser uma das economias emergentes com maiores condições de sair da crise e retomar o caminho do crescimento econômico.
Porém, esta saída não será convencional, pois uma nova economia se impõe, na qual a economia real será a base desta retomada e aqueles países que compreenderem que os mecanismos que impulsionaram o “falso boom” não mais existirão e mesmo se empregados só podem prolongar os efeitos da crise, a forma inteligente e diferenciadora será a criatividade proposta pela Integração Paralela da Economia.

lunes, 27 de abril de 2009

BRASIL PERDEU 750.000 EMPREGOS

Brasil perdeu 750 mil empregos em três meses, aponta Dieese Vinicius Konchinski Repórter da Agência Brasil
São Paulo - O mercado de trabalho nacional perdeu 750 mil vagas de emprego formal de dezembro a fevereiro, segundo um estudo divulgado hoje (23) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O levantamento da entidade mostra que a perda representa um corte de 2,3% do total de postos de trabalho do país e é um dos impactos da crise mundial na economia brasileira.
“Estes três meses [dezembro, janeiro e fevereiro] são, tradicionalmente, meses de ajustes sazonais no nível de emprego. Geralmente, temos mais demissões que contratações. Mas, este ano, a crise agravou a situação”, disse o coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre, em entrevista à Agência Brasil.
Só em dezembro, por exemplo, a crise aumentou em 305 mil o número de demissões no país, de acordo com o Dieese. Nas previsões da entidade, o Brasil perderia 350 mil vagas de trabalho naquele mês. Porém, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) acabou apontando um corte de 655 mil vagas.
O estudo do Dieese aponta ainda que boa parte das vagas eliminadas desde dezembro são do setor de agropecuária e da indústria de transformação, os mais prejudicados em termos percentuais. Só agropecuária demitiu 8,6% dos seus empregados durante esse período. Já a indústria de transformação demitiu 5%.
Silvestre afirmou, porém, que pelo menos uma parcela de todas essas demissões poderia ter sido evitada, independentemente do agravamento da crise no mundo ou no Brasil. Segundo ele, existe uma grande facilidade para se demitir no país e alguns empresários se aproveitam dessa facilidade para cortar mais vagas que o necessário.
“É difícil mensurar o que foram demissões causadas pela crise e o que foram ajustes antecipados promovidos pelos próprios empresários”, afirmou Silvestre, citando casos de companhias que anunciaram demissões em massa ao mesmo tempo que anunciaram um aumento de sua produção para 2009.
Silvestre disse que o corte desnecessário de vagas tem outro efeito negativo: a precarização do trabalho. Ele disse que o país, desde 2002, apresenta melhorias neste sentido, com o aumento do salário mínimo e do salário dos recém-contratados. Essas melhorias, porém, estão comprometidas pela crise e pela falta de regras rígidas sobre as demissões injustificadas.
De acordo com Silvestre, o Brasil deveria criar leis que impeçam as demissões em justa causa, assim como o previsto pela Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). "O custo da demissão já está embutido no custo do trabalhador. Enquanto não tivermos uma lei que iniba as demissões, vamos ter esta alta rotatividade

PETROBRAS RECORD DE PRODUCCION EN MARZO

-->Petrobras bate recorde mensal na produção de petróleo e gás em março Nielmar de Oliveira Repórter da Agência Brasil ,24 de abril de 2009 .
Rio de Janeiro - A Petrobras bateu em março último o recorde de produção de petróleo equivalente (petróleo e gás natural), ao atingir a extração média de 2.315.276 barris/dia. O resultado chega a ser 9,5% superior ao volume produzido no mesmo mês do ano passado e 3% maior que a de fevereiro deste ano.
Isoladamente, a produção de petróleo nos campos do país atingiu os 1.991.934 barris/dia, superando em 10,6% a produção média de março de 2008 e em 2,7% a de fevereiro deste ano, também um resultado recorde na história da companhia.
Os dados foram divulgados hoje (24) pela estatal, que atribuiu o resultado ao crescimento da produção na Bacia de Campos, no norte fluminense, com a entrada em produção de novos poços em algumas áreas de produção. Com isso, houve um incremento da extração nas plataformas P-53, e FPSO Cidade de Niterói (ambas em Marlim Leste); e na P-54 (Roncador).
A Petrobras informou ainda que no dia 19 de março conseguiu extrair 2.042.559 barris – a maior produção já obtida em um único dia pela estatal.
Já a produção de gás natural dos campos nacionais atingiu em março 51.407 milhões de metros cúbicos diários, resultado ligeiramente superior aos 48.867 milhões de metros cúbicos diários produzidos em fevereiro de 2009. Os dados indicam que, somadas as produções dos campos da empresa no Brasil e no exterior, a produção total de petróleo e gás natural atingiu, em março último, a média diária de 2.537.873 barris de óleo equivalente (BOE) diários.
O resultado foi 8,5% maior que a produção de igual mês de 2008 e 4,3% acima do volume total extraído em fevereiro deste ano.
O volume de petróleo e gás natural proveniente dos nove países onde a Petrobras mantém ativos de produção, em barris de óleo equivalente, chegou a 222.597, 1,9% inferior ao volume produzido no mês anterior e 1% abaixo da produção de março de 2008.
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INCREMENTO DE CONSUMO DE ENERGIA ELETRICA

Indústria aumenta consumo de energia elétrica em março Sabrina Craide Repórter da Agência Brasil
Brasília - O consumo de energia elétrica da indústria mostrou sinais de recuperação em março, com aumento de 6,2% em relação a fevereiro. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o crescimento é quase o dobro da taxa média verificada nos últimos anos.
No entanto, em comparação com março de 2008, o consumo industrial do último mês foi 10,5% menor.Na classe residencial, houve crescimento de 10,3% no consumo e, na comercial, de 8,6%.No total, o consumo de energia elétrica em março cresceu 5,2% em relação a fevereiro, somando 32,3 mil gigawatts. Em relação a março de 2008, houve decréscimo de 0,4%.Segundo a EPE, estes foram os melhores resultados verificados desde dezembro de 2008, quando o consumo total começou a se retrair.','').

jueves, 9 de abril de 2009

JARAGUA DESAFIA A CRISE NO BRASIL

Jaraguá do Sul (SC) - Duas Rodas Industrial, do setor alimentício, prevê crescimento de 8% em seu faturamento neste ano, apesar da crise econômica Jaraguá do Sul (SC) - Um dos principais pólos industriais brasileiros está enfrentando a crise sem passar por fortes turbulências. É Jaraguá do Sul, um centro metal-mecânico, alimentício e têxtil situado no norte de Santa Catarina, a 182 quilômetros de Florianópolis. Com 7 mil empresas e uma população de 130 mil habitantes, o município vem conseguindo contornar os efeitos da desaceleração da economia com uma receita simples: dinamismo empresarial e investimentos na produção. Não por acaso, ele é responsável por cerca de 40% da produção industrial do estado.Embora a indústria tenha sido o primeiro segmento da economia brasileira a sentir os efeitos da crise financeira mundial, com redução brusca dos empréstimos bancários e das exportações, a atividade praticamente manteve o mesmo ritmo no município catarinense, que ostenta um Produto Interno Bruto (PIB) per capita anual superior a R$ 36 mil. "A crise afetou pouco as empresas da cidade", assinala o presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs), Guido Jackson Bretzke. "A maioria das indústrias continua funcionando a pleno vapor", reforça."Aqui não costumamos aplicar no virtual e sim do real", emenda o diretor de Planejamento da prefeitura do município, Lauro Stoinski, alfinetando os empresários que trocaram a produção pela especulação financeira. Os investimentos das empresas locais, ressalta, sempre foram "o principal anticorpo da cidade para a crise." Mesmo assim, Jaraguá do Sul teve que ajustar seu parque industrial à nova realidade econômica global. Afinal, os ventos que sopraram dos Estados Unidos no segundo semestre do ano passado se espalharam por todo o mundo.Em Jaraguá do Sul, onde estão instaladas marcas conhecidas nos mercados nacional e internacional, como WEG, Malwee e Marisol, a readequação obrigou algumas plantas industriais a passar a produzir um pouco menos. Em alguns casos, segundo Bretzke, a queda das vendas chegou a ser considerada positiva. "Havia [na cidade] indústrias trabalhando numa margem muito próxima à capacidade máxima de produção e a diminuição da demanda resultou num equilíbrio maior em relação à oferta", lembra o presidente da Acijs.Nada, porém, que representasse risco aos compromissos assumidos anteriormente com seus clientes. Para dar conta das encomendas, empresas concorrentes se ajudaram e adotaram até mesmo estratégias conjuntas como empréstimos de matérias-primas ou parcerias. Além de mostrar o dinamismo empresarial desse município encravado no Vale do Itapocu, essas iniciativas também impediram que ele fosse contaminado pela onda de pessimismo que tomou conta de boa parte do setor produtivo.Graças a isso, Jaraguá - palavra de origem tupi-guarani que significa Senhor do Vale - tem empresas com previsão de crescimento em plena crise. Um exemplo é a Duas Rodas Industrial, que produz matérias-primas, como aromas, essências e flocos de frutas. A indústria teve aumento de 11,3% no faturamento em 2008 e prevê crescimento de 8% neste ano. "A crise nos atingiu pouco, porque o ramo de alimentos é o último a entrar nela e o primeiro a sair", diz seu diretor administrativo-financeiro, Jairo Becker.Com 1.350 empregados, dos quais 1.200 na unidade de Jaraguá do Sul, a Duas Rodas Industrial também serve para ilustrar outra decisão dos empresários desse município rodeado por morros e pontuado por nascentes de água: demissão, só em último caso. "Nossa última opção é reduzir a mão-de-obra, porque ela é treinada e resultante do alto grau de investimento", afirma o executivo da indústria de alimento.Acostumadas a mirar seus negócios no comércio exterior, as indústrias da cidade catarinense não demoraram em perceber que era preciso olhar mais para o mercado interno. "A entrada das classes C e D na faixa de consumo contribuiu para amenizar os efeitos da crise nessas empresas", acentua o presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul. "As vendas para o mercado interno acabaram compensando as perdas”, observa Bretzke.No entanto, a busca de alternativas para vencer as dificuldades não conseguiu evitar que alguns segmentos da indústria de Jaraguá do Sul enfrentassem situações adversas. O setor metalúrgico, por exemplo, atravessa um período de maior ajuste. O sindicato da categoria contabiliza, em todo a cadeia produtiva, 1.069 demissões entre janeiro e fevereiro e a expectativa é que essa tendência continue em março.A WEG, fabricante de motores elétricos e uma das maiores multinacionais brasileiras, foi a empresa que mais demitiu na cidade. Dos seus 20 mil empregados, 14 mil trabalham nas duas unidades da WEG em Jaraguá do Sul. "A crise foi sentida, mas apesar dela prevemos um crescimento de 15% em 2009", informa o presidente da WEG, Harry Schmelzer.A solução encontrada pela WEG é a diversificação dos segmentos. "Algumas áreas sentiram os efeitos da crise, mas outras estão superaquecidas. Enquanto o setor seriado (eletrodomésticos) sofreu os efeitos maiores, o de equipamentos de grande porte, feitos sempre sob medida, está mais forte e sentindo menos a crise", explica Schmelzer.Grande empresa do setor têxtil, a Malwee registrou uma queda de 20% na produção em novembro e dezembro passado, mas conseguiu manter os empregos. "A crise nos preocupa, principalmente depois de termos sido tão prejudicados pela concorrência dos produtos chineses", reclama o gerente de marketing da Malwee, Wilmar Raboch.A readequação da indústria de Jaraguá não deverá, entretanto, ter grandes reflexos nos cofres do município no curto prazo. "A receita não foi afetada. Se compararmos a receita líquida do primeiro bimestre de 2009 com a de 2008, veremos que houve superávit de 5,5%, apesar de o governo ter diminuído a carga tributária", destaca o diretor de Planejamento da prefeitura. "Nossas contas estão perfeitamente equilibradas até abril", garante Stoinski.

LULA COBRARA OBRAS DEL PAC PARA ENFRENTAR LA CRISIS

Brasília - Presidente Lula durante reunião com ministros sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (9), durante reunião com ministros, que vai aos estados checar in loco o andamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A afirmação é do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, que participou do encontro.“O presidente, nessa primeira fase, deixou bastante claro seu envolvimento pessoal no acompanhamento das obras que estão ocorrendo no país, cobrando cronogramas, celeridade, e anunciando que vai começar um périplo pelos estados para checagem in loco do andamento das obras e a partir daí vai se reunir com áreas específicas para tratar de cada assunto determinado de obras do PAC”, afirmou.Geddel disse ainda que Lula afirmou que o PAC é um importante componente para o enfrentamento da crise internacional, gerando empregos. “Essa cobrança agora mostra claramente a preocupação que nós todos temos de ter, de trabalharmos conjuntamente para aquecermos a economia na medida em que o prazo de mandato vai se esgotando. Todos temos que nos preocupar em acelerar as obras”, disse.Além de Geddel, participam da reunião os ministros das Cidades, Marcio Fortes dos Transportes, Alfredo Nascimento; do Meio Ambiente, Carlos Minc; de Minas e Energia, Edison Lobão; da Defesa, Nelson Jobim; da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage; e da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito. Estavam presentes também os presidentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, e o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. ','').replace('','') -->

APORTE DE BRASIL AL FMI US$ 4,5 MIL MILLONES DE DOLARES

Brasil entrará para o grupo de credores do FMI com aporte de US$ 4,5 bilhões Stênio Ribeiro Repórter da Agência Brasil
Brasília - O Brasil passará a fazer parte do grupo de países credores do Fundo Monetário Internacional (FMI). O ministro da Fazenda anunciou hoje (9) que o país participará do Plano de Transações Financeiras (PTF) do fundo, com o aporte de uma cota de até US$ 4,5 bilhões.Em troca, o FMI emitirá, dentro de duas ou três semanas, títulos correspondentes em Direitos Especiais de Saques (SDR, na sigla em inglês) que vão fazer parte das reservas internacionais do país, com os respectivos rendimentos atribuídos ao dólar. A operação “não afeta as reservas brasileiras, que continuarão no mesmo patamar”, disse Mantega.Ele disse que dos 185 países filiados ao FMI, só 47 integram o PTF. Neste grupo, estão incluídas as nações que têm balanços de pagamentos e níveis de reservas internacionais suficientemente robustos, de acordo com avaliação trimestral do FMI.Mantega disse que o ingresso do Brasil no PTF tem significado especial nesse período difícil que atravessa a economia mundial. “Para nós é importante, porque isso mostra que o Brasil é considerado um país sólido e vamos contribuir para viabilizar crédito para os países emergentes”, acrescentou.De acordo com o ministro, o FMI reconhece que a economia brasileira preserva contas externas fortes em meio à mais grave crise financeira internacional desde a Segunda Guerra Mundial. Ele ressaltou também que a participação brasileira no PTF indica a disposição do país de contribuir para o esforço coletivo de financiamento do FMI e de combate à crise global.Nota do Ministério da Fazenda explica que o PTF é o mecanismo básico pelo qual o fundo financia as operações de empréstimo. Os países que integram o PTF se dispõem a prover moedas de livre utilização internacional (dólares, euros, libras ou ienes) até o limite de sua quota. Na prática, os montantes fornecidos são inferiores às quotas.Mantega não sabe quanto o FMI solicitará ao Brasil. “Estamos apenas dizendo sim, nós concordamos em entrar nesse clube de países credores, e se o Fundo precisar, faremos o aporte.” A inclusão formal do país no PTF deve ocorrer ainda este mês e o Brasil passará para a lista de credores potenciais do fundo a partir de 1º de maio.

miércoles, 8 de abril de 2009

CRISE ECONOMICA COMPLICA EL PIM DE MANAUS

Indicadores do PIM refletem crise econômica internacional
Hudson Braga
O faturamento do Polo Industrial de Manaus (PIM) no primeiro mês do ano foi de US$ 1,391 bilhão, resultado 36,7% menor que o verificado no mesmo período de 2008 (US$ 2,198 bilhões). Tendo como referência a moeda brasileira, o faturamento do Polo em janeiro foi de R$ 3,211 bilhões, o que representa uma queda menor: 17,69% em relação ao mesmo mês do ano passado. As exportações também seguiram o mesmo patamar de queda do faturamento em dólar (-38,22%), passando de US$ 92,755 milhões para US$ 57,308 milhões. Já os empregos, estes saíram de 101.150 em dezembro para 94.543 em janeiro desse ano, segundo dados fornecidos por 387 empresas das 420 pesquisadas – o PIM tem cerca de 550 fábricas. Os indicadores do PIM, divulgados nesta quinta-feira (dia 12) pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), refletem os efeitos da crise econômica internacional, que restringiu o crédito ao consumidor e a efetivação de novos investimentos. Devido ao elevado valor agregado dos principais produtos do parque fabril da Capital do Amazonas, a queda nas vendas financiadas afetaram diretamente o desempenho do PIM. A produção de motocicletas, motonetas e ciclomotores, por exemplo, caiu 58,38%, de 204.779 unidades em janeiro do ano passado para 85.232 unidades no primeiro mês desse ano. O superintendente em exercício da SUFRAMA, Oldemar Ianck, observa, entretanto, que a quantidade vendida (107.167 unidades) pelos fabricantes nesse mesmo mês foi maior que a produzida. “Continuamos monitorando o desempenho do PIM, trabalhando na melhoria de Processos Produtivos Básicos (PPBs) e subsidiando os governos em ações que visam fortalecer a indústria”, ressalta Ianck. Na semana passada, durante a reunião do Conselho de Administração da SUFRAMA (CAS), o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Ivan Ramalho, afirmou que o Governo Federal continuará empenhado em manter a economia aquecida. Segundo ele, essa preocupação se dá não só com o polo de duas rodas e de eletroeletrônicos, os maiores do PIM, mas com todos os segmentos produtivos. Na mesma ocasião, o governador do Estado do Amazonas, Eduardo Braga, que tem mantido estreita relação com a equipe econômica e com o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou estar ansioso pelo anúncio de novas medidas federais de desoneração da atividade produtiva, a exemplo do que foi feito com relação ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para a compra de motos. Agora, a expectativa é com relação ao PIS/Cofins.
Resultados positivosApesar da retração do consumo, determinadas linhas de produtos, que vinham em forte expansão, continuaram em alta em janeiro. É o caso dos televisores da nova geração tecnológica. A produção de TVs com tela de plasma aumentou 134,56% (de 10.879 para 25.518 unidades, com vendas chegando a 36.162 em janeiro desse ano) e a de cristal líquido (LCD) passou de 109.525 para 244.101 no mesmo período analisado, conferindo uma alta de 122,87%. Os fabricantes de unidades evaporadoras para condicionadores de ar split system registraram em janeiro produção 460,03% maior (salto de 2.662 para 14.908 aparelhos), os de fornos de microondas produziram 43,67% a mais (passando de 144.572 para 207.708 unidades). Já as linhas de câmeras fotográficas digitais tiveram incremento de 70,72%, passando de 99.958 máquinas em janeiro de 2008 para 170.649 em janeiro deste ano.

CRISE - DISMINUIR EL IPI TAMBIEN PARA LOS ELECTRODOMESTICOS

Governo estuda prolongar IPI menor para carros e estender a eletrodomésticos
MÁRCIO FALCÃOda Folha Online, em Brasília
O governo deve anunciar novas medidas de combate à crise financeira. Entre elas, está em estudo a prorrogação da redução das alíquotas de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a indústria automobilística, além da inclusão de novos produtos como geladeiras e fogões.
Na reunião da coordenação política desta terça-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva dados positivos sobre a recuperação da economia brasileira diante da crise financeira internacional. Segundo relato dos ministros que participaram do encontro, a avaliação é de que o governo adotou as medidas certas para enfrentar a crise, mas que ainda novas ações devem ser adotadas.
"A conclusão que se chega é que todos têm a consciência de que o governo tomou as medidas necessárias na hora correta. Todas as medidas já foram tomadas? Não, algumas ainda precisarão ser tomadas", disse.
O ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, disse que o governo está consciente de que não pode tratar com "desdém" a crise. Ele afirmou que a expectativa do governo é de que o país deixe a crise antes de todo mundo.
"Devemos continuar com as mesmas preocupações, sem tratar a crise com desdém, sem desrespeito. Evidentemente somos otimistas, o quadro do Brasil é super favorável, dentro do quadro que o mundo vive e temos certeza de que se nós entramos na crise depois de todo o mundo, vamos sair antes de todo mundo".
A cúpula do governo ficou entusiasmada com uma pesquisa que o ministro da Fazenda apresentou mostrando que investidores de todo mundo apontam o Brasil como o segundo melhor mercado para aplicação de recursos. A economia brasileira perde apenas para a China. "Isso significa que o mundo olha pra nós como terra de bons investimentos e vão nós ajudar a gerar os empregos que precisamos", afirmou.
Social
Ficou acertada ainda uma reunião do governo com um grupo de empresários para tratar da política social. A ideia é mostrar como ocorreu o fortalecimento do mercado interno.
"Vamos reunir o empresariado brasileiro para dizer onde está este fortalecimento, como isso aconteceu, como isso foi gerado, como houve uma movimentação das classes sociais mais baixas para as superiores", disse.

O RANKING DOS BANCOS DO BRASIL NA CRISE lideram ranking das marcas mais valiosas do Brasil

Bancos lideram ranking das marcas mais valiosas do Brasil , da Folha Online
Três bancos lideram o ranking das 110 marcas mais valiosas do Brasil. O Bradesco é o primeiro seguido por Itaú e Banco do Brasil, aponta a pesquisa da consultoria Brand Finance divulgada nesta terça-feira. Líder também no ano passado, a marca Bradesco encerrou o ano passado avaliada em R$ 16,265 bilhões. O Itaú ficou em segundo, com sua marca avaliada em R$ 11,814 bilhões, e o Banco do Brasil em terceiro, avaliado em R$ 7,415 bilhões. Em relação ao ano anterior (2007), o Itaú subiu quatro posições, enquanto o BB caiu uma.
Outros bancos no ranking são a Caixa Econômica Federal (de 35ª para a 17ª posição), Real subiu nove posições (37ª para 28ª), Unibanco (41ª para 31ª), Santander (44ª para 25ª) e HSBC (44ª para o 46ª). A Nossa Caixa foi a única instituição que recuou, indo da 69ª posição para a 76ª, e o Banrisul foi o único que estreou na listagem, na 107ª colocação.
A marca da Petrobras, empresa de capital aberto (ações em Bolsa) com maior valor de mercado, subiu da oitava para a sétima posição, avaliada em R$ 5,904 bilhões. A Vale foi do 16º para o 11º lugar (R$ 4,086 bilhões).
Em sua pesquisa, a Brand Finance considera dados de 5.150 pessoas em todo o território nacional. Integram o levantamento indicadores como produtos/serviços, preço, marketing e comunicação, governança corporativa e responsabilidade socioambiental, serviços ao consumidor e canal de distribuição. Para o índice final, a pesquisa considerou ainda a eficiência, margem operacional, rentabilidade, resultado líquido, patrimônio líquido e Ebitda.
Veja o ranking das dez marcas mais valiosas: Bradesco - R$ 16,265 bilhões , Itaú - R$ 11,814 bilhões ; Banco do Brasil - R$ 7,415 bilhões ; Volkswagen - R$ 6,629 bilhões ;AmBev - R$ 6,398 bilhões ;Vivo - R$ 5,934 bilhões ;Petrobras - R$ 5,904 bilhões ;General Motors / Chevrolet - R$ 5,874 bilhões Oi / Telemar - R$ 5,474 bilhões ,Fiat - R$ 5,075 bilhões

CRISE BRASIL - MUDANÇA DE PRESIDENTE DO BB

Novo presidente do BB assume com obrigação de aumentar crédito e cortar juro
EDUARDO CUCOLO da Folha Online, em Brasília Atualizado às 13h52.
Como antecipado pela Folha, o novo presidente do Banco do Brasil será Aldemir Bendine, 45, que assume o cargo no dia 23 de abril. Funcionário de carreira e ligado ao PT, Bendine ficará no lugar de Antônio Francisco de Lima Neto e terá o compromisso de aumentar o volume de crédito do banco e reduzir o "spread" e os juros bancários. O ministro Guido Mantega (Fazenda) oficializou no início da tarde desta quarta-feira a troca no comando do Banco do Brasil.
Divulgação O vice da área de Cartões, Aldemir Bendine, assumiu a presidência do Banco do Brasil "O Aldemir Bendine assume com um contrato de gestão em que vai se comprometer a agilizar a liberação de crédito, concorrer com os grandes bancos e incorporar novos clientes, aproveitando essa vantagem que tem o Brasil em relação a outros países", disse Mantega.
"Vamos perseguir metas de volume de crédito, ganhar 'market share' [espaço no mercado] em relação aos outros bancos. Para isso, você tem de continuar o que está fazendo, que é baixar as taxas de juros", disse o ministro.
Mantega afirmou que Lima Neto já havia pedido para deixar o cargo há algumas semanas. Ele irá agora assumir outro cargo dentro do BB. Afirmou também que não está sendo cogitada nenhuma mudança na Caixa Econômica Federal. Lima Neto, por sua vez, negou que tenha sido pressionado para deixar o comando da instituição. "Não houve pressão. Terminamos um ciclo", disse Lima Neto. O ministro também negou que haja motivação política na troca. "Não se pode falar em ingerência política. O maior acionista é o governo. Os critérios são os mesmos de quando eu escolhi o Lima Neto, por suas qualidade e aptidões."
Juros altos
O anúncio da mudança, relacionada à queda nos juros cobrados pela instituição, provocou baixa nas ações do BB negociadas na Bolsa. O ministro afirmou que "os acionistas podem ficar tranqüilos, pois a instituição vai continuar dando lucro.
Rogerio Cassimiro/Folha Imagem
Lima Neto (foto) esteve à frente da compra do Nossa Caixa pelo BB no final de 2008
"Vamos aumentar os volumes de crédito, mas dentro dos padrões de segurança. Acho que somos às vezes até mais rigorosos do que o setor privado. Vamos manter essas práticas de segurança, porém vamos aumentar o crédito e disputar com os outros bancos para ver se nós baixamos o spread no país. O banco vai ganhar com um volume maior de crédito."
O novo presidente do BB afirmou que não possui vinculação com nenhum partido político. "Não sou filiado ao PT e não tenho nenhuma vinculação partidária."
Ele disse também que irá trabalhar para acelerar a queda dos juros praticados pela instituição. "Quanto à questão dos juros, isso é algo estabelecido. Vamos combater, com a queda do spread e o aumento do volume", disse o novo presidente do BB.
Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu fazer a troca porque estava insatisfeito com o trabalho de Lima Neto, que assumiu o cargo em dezembro de 2006. Lula vem pressionando as diretorias do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal desde o ano passado para reduzir juros e o "spread" bancário --diferença entre o custo de captação do dinheiro e a taxa cobrada nos empréstimos aos clientes.
Hoje, Lula disse que a queda dos juros é sua "obsessão" e que isso pode ter influenciado a troca no BB.
"A redução do 'spread' bancário, neste momento, é uma obsessão. O Guido Mantega [ministro da Fazenda] sabe disso, o Banco do Brasil e a Caixa sabem disso", afirmou Lula. "Não há nenhuma necessidade de o 'spread' bancário ter subido tanto no Brasil de julho pra cá. Estamos numa fase em que o Banco Central e a Fazenda estão estudando isso e, obviamente, quem tem bancos públicos, como tem o Brasil, pode começar essa tarefa de reduzir as taxas."

A CRISE DO BRASIL - DESONERA MATERIAL DA CONSTRUÇÃO

Governo prorroga IPI reduzido para carros e desonera material de construção
O governo federal anunciou nesta segunda-feira a prorrogação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido para o setor automotivo por mais três meses --o benefício valeria até amanhã--, mas com a contrapartida da manutenção dos empregos pelas montadoras, conforme antecipado pela Folha. Entre outras medidas, o governo também anunciou benefícios para motocicletas e materiais de construção e, como compensação, elevou a tributação sobre os cigarros.
As montadoras, porém, estão livres para implementar programas de demissão voluntária --como feito pela Ford na última semana-- e demitir trabalhadores temporários ao final de seus contratos.
Segundo o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Jackson Schneider, sem a medida, haveria uma queda de 30% nas vendas de veículos no segundo trimestre. Após a redução do IPI, as vendas de veículos se recuperaram da forte queda vista no fim do ano passado. Na primeira quinzena deste mês, as vendas de automóveis e comerciais leves registraram alta de 5,31%. Apesar disso, mais de 4.700 empregos foram cortados no setor.
Além das montadoras, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que construção tamos materiais de bém terão alíquotas menores de IPI. Haverá isenção para a compra de revestimentos, vernizes, tintas, cimento, pias, louças de banheiro, rede e grade de aço, chuveiro, fechaduras e dobradiças, entre outros itens. Outros produtos tiveram apenas redução, como massa de vidraceiro, cujo IPI foi de 10% para 2%.
Além disso, foi modificado o regime de tributação para a construção civil (congrega os impostos: IR, CSLL, PIS e Cofins), aplicado às construtoras, com redução de 7% para 6%. Caso a construtora esteja no programa de habitação do governo, a redução vai a 1%.
Outra medida é o benefício fiscal para motocicletas, que teve redução de Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) de 3% para zero.
Para compensar, ao menos parcialmente, a perda de arrecadação com a desoneração fiscal, o governo vai elevar o IPI e a Cofins sobre os cigarros. Segundo Mantega, o produto ficará entre 20% e 25% mais caro.
A previsão de renúncia fiscal com essas medidas é de R$ 1,5 bilhão. O governo espera recuperar esse valor totalmente com o aumento do imposto sobre cigarros.
O anúncio de hoje feito em São Paulo, que contou com a presença do vice-presidente, José Alencar, complementa o pacote habitacional lançado na semana passada pelo governo, que prevê construir 400 mil casas para a baixa renda e facilitar os empréstimos imobiliários para quem recebe entre três e dez salários mínimos.
Manaus
Mantega informou ainda que o governo, por decreto, ampliou a lista dos setores considerados prioritários na área da Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) --têm isenção de IR (Imposto de Renda) de pessoas jurídicas. Foram beneficiadas as empresas de papel e celulose, desde que tenham projeto de reflorestamento, material descartável (barbeadores, canetas, lápis, lapiseiras), brinquedos, relógios e materiais óticos.
As medidas foram assinadas pelo presidente em exercício, José Alencar, e serão publicadas no "Diário Oficial da União" na terça-feira. Elas entram em vigor amanhã, com exceção das tarifas sobre cigarro, que passam a valer em maio.
Veículos
Os carros populares até 1.000 cilindradas (tanto álcool quanto gasolina) têm taxa zero
(a original é de 7%), os de 1.000 cilindradas a 2.000 cilindradas, à gasolina, têm redução de 13% para 6,5%, e os flex ou álcool, de 11% para 5,5%.
MATERIAL REDUÇÃO DO IPI
Cimentos aplicados na construção 4% para 0%
Tintas e vernizes dos tipos aplicado na construção 5% para 0%
Massa de vidraceiro 10% para 2% ;Indutos utilizados em pintura 5% para 2%
Revestimentos não refratários do tipo dos utilizados em alvenaria 5% para 0%
Aditivos preparados para cimentos, argamassas ou concretos 10% para 5%
Argamassas e concretos para construção 5% para 0%
Banheiras, boxes para chuveiros, pias e lavatórios de plástico 5% para 0%
Assentos e tampas, de sanitários de plástico 5% para 0%
Caixas de descarga e artigos semelhantes para usos sanitários ou higiênicos, de plásticos
5% para 0%
Pias, lavatórios, colunas para lavatórios, banheiras, bidês, sanitários, caixas de descarga, mictórios de porcelana 5% para 0%
Pias, lavatórios, colunas para lavatórios, banheiras, bidês de cerâmica 5% para 0%
Grades e redes de aço, não revestidas, para estruturas ou obras de concreto armado ou argamassa armada 5% para 0%
Outras grades e redes de aço, não revestidas, para estruturas ou obras de concreto armado ou argamassa armada 5% para 0% ;Pias e lavatórios, de aços inoxidáveis 5% para 0%
Outras fechaduras; ferrolhos 5% para 0% Partes Cadeados, fechaduras e ferrolhos 5% para 0%
Dobradiças de qualquer tipo (incluídos os gonzos e as charneiras) 5% para 0%
Outras guarnições, ferragens e artigos semelhantes para construções 10% para 5%
Válvulas para escoamento5% para 0% ;Outros dispositivos dos tipos utilizados em banheiros ou cozinhas 5% para 0% ;Disjuntores 15% para 10%; Chuveiro elétrico