domingo, 19 de julio de 2009

QUEDA DE LAS EXPORTACIONES DE BRASIL

NEGÓCIOS INTERNACIONAIS - Queda na exportação / Marco DamásioO caos econômico que vem tomando conta do país desde o final de 2008 continua ocasionando reflexo em vários setores da economia, principalmente as áreas que lidam com logística e comércio exterior.
A queda nas exportações de bens industrializados, de 22%, desde o agravamento da crise econômica, respondeu por mais da metade da retração de 16% da produção industrial brasileira no período. A conclusão consta de um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES. O desempenho das vendas internacionais afeta diretamente os fornecedores de bens de capital e bens intermediários à indústria exportadora, aumentando o impacto sobre a economia local. Sem dúvida, como todo prestador de serviços, nosso setor não foi poupado em nenhuma circunstância, por estarmos diretamente ligados aos movimentos gerados pelos nossos clientes, se ele vai mal, teremos uma forte tendência de seguirmos o mesmo caminho, sofremos em demasia com as oscilações do mercado, é uma reação em cadeia. Os efeitos diretos e indiretos do encolhimento do comércio internacional respondem por 50,3% do desempenho da indústria. O restante é consequência da retração do mercado interno, que, apesar de manter um nível de consumo elevado, viu os investimentos e a formação de estoques despencarem durante a crise. O Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) do Brasil destinará cerca de 646 bilhões de reais para serem aplicados no projeto até 2010. Entretanto, embora a ideia tenha em seu escopo a desburocratização e facilitação do comercio exterior brasileiro, esta percepção tem ocorrida de forma muito tênue. Existem inúmeros fatores favoráveis e desfavoráveis a implementação da infra-estrutura do comércio exterior brasileiro. Desde 1990, o país vem otimizando e desburocratizando o seu comércio exterior, que aliado a nossa sensibilidade a fatores externos como, por exemplo, a tragédia ocorrida nos EUA em 11 de setembro com as torres gêmeas, que desencadeou no mundo uma corrida à segurança que de certa forma era meio que desprezada, vem contribuindo para este desenvolvimento. A grande dificuldade logística recai sobre a histórica falta de previsibilidade do futuro em nossos projetos anteriores, como o caso do porto de Santos, que pela formação, impede o seu crescimento de forma lógica e racional, embora que a partir de sua privatização tenha encontrado em seus novos proprietários um desejo voraz de crescimento e expansão, conquistando a duras penas a modernização e agilização do fluxo cada vez maior de cargas, não é a toa que é o principal porto de destaque no Brasil e na América Latina. O objetivo do projeto brasileiro de modernização é de estar proporcionando aos seus clientes usuários um status de primeiro mundo. Estamos trabalhando para que nos tornemos não só uma referência nacional, mas também internacional, equiparáveis aos maiores portos do mundo, que tradicionalmente oferecem tratamento vip a todas as cargas que por eles passam, beneficiando tanto aos armadores como também aos seus usuários importadores e/ou exportadores.

martes, 7 de julio de 2009

ENXURRADA DE DOLARES PARA O BRASIL

O Brasil na onda dos investimentos .O mercado interno reprimido e a liberação de crédito atraem enxurrada de dólares para o País . (Adriana Nicacio )
Enquanto os Estados Unidos e a Europa continuam a sofrer os males de uma recessão profunda que ameaça se prolongar, o Brasil nada contra a maré internacional e volta a atrair investimentos. Como tem dito o ex-ministro Delfim Neto, o Brasil é "o peru com farofa" do mercado financeiro. A força do consumo interno, que ajudou o País a resistir aos momentos mais agudos da crise, mostra que o pior já passou para a economia brasileira. A visão que se tem do Brasil é clara: o País tem o sétimo mercado consumidor do mundo e só tende a avançar, pois apenas 35% da população participa da chamada "sociedade de consumo". O risco-país está em 306 pontos, contra a média de 471 das economias emergentes. Tudo isso explica a enxurrada de investimentos estrangeiros, que provocou a desvalorização do dólar para R$ 2, o menor valor nos últimos sete meses. Dados do Banco Central indicam que a entrada de investimento estrangeiro direto em abril mais que dobrou em relação a março, somando US$ 3,4 bilhões. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, nega que esse movimento seja efeito dos juros altos praticados no Brasil.
"Não. Os números mostram que, até agora, a entrada de dólares tem sido gerada pela retomada do crédito, o aumento das aplicações em bolsa e o investimento direto", diz Meirelles. "Estes investidores apontam que o Brasil vai superar a crise."
A equipe econômica reconhece que o País passou momentos difíceis no fim de 2008 e no começo deste ano, mas prefere não perder tempo com o que vê pelo retrovisor. O otimismo em relação ao futuro tomou conta do governo. Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, apesar da face negativa da apreciação do real, que é a queda na competitividade das exportações, a valorização do câmbio é prova de que o Brasil está se refazendo. "A confiança no País nos ajuda a sair mais rapidamente da crise", diz Mantega. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, garante que o Brasil não perdeu sua capacidade de receber investimentos. Apesar do agravamento da crise internacional, a expansão do crédito no Brasil foi de 25% nos últimos 12 meses, o que se refletiu na ampliação de projetos no setor petroquímico e no de produção de petróleo e gás. Segundo ele, os desembolsos do banco já somam mais de R$ 25 bilhões, com outros R$ 28 bilhões em projetos aprovados. "Levantamentos demonstram que os setores ligados à infraestrutura, em especial à geração de energia, também possuem boas perspectivas de crescimento", afirma Coutinho.
O projeto empresarial que recebeu o maior crédito no primeiro trimestre de 2009 no mundo é brasileiro, de acordo com a consultoria internacional Dealogic, especializada em mercado de investimentos. Trata-se do projeto Santo Antônio Energia, que captou R$ 6,2 bilhões para a construção da hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia. O empreendimento, que tem entre seus acionistas a Odebrecht e Furnas, é encabeçado pelos bancos Banif, de Portugal, e Santander, da Espanha. Também numa aposta de que o mercado interno voltará a se aquecer, a maior operadora de contêineres da América do Sul, a Santos Brasil Participações, decidiu retomar as obras de expansão do seu terminal em Santa Catarina e comprou seis novos portêineres (guindaste sobre trilhos que percorrem o costado do navio), uma novidade na América Latina. "Estamos pautados em uma possível retomada da economia", diz Washington Kao, diretor financeiro da Santos Brasil. A empresa ampliou sua previsão de investimentos de R$ 150 milhões para R$ 190 milhões e faz questão de ressaltar que nesta conta não entram as eventuais aquisições.
O vento, de fato, está soprando a favor do Brasil. O índice de confiança dos consumidores, calculado pela FGV, avançou 1,3%. O volume de crédito pessoal subiu 22% e a taxa de juros dos bancos comerciais tem caído, sob pressão do governo. Esses dados tornam o País uma ilha de prosperidade para os investidores estrangeiros, sem opções em seus mercados de origem. "As pessoas se esqueceram que agora, em maio, fez um ano que o Brasil conquistou o grau de investimento", lembra o professor e consultor da FGV/SP Robson Gonçalves. "Com a poeira baixando, o Brasil volta a colher os frutos disso, principalmente com a aversão ao risco voltando aos patamares normais."

CRISE DE 1929 VERSUS CRISE DE 2009

Lições da Crise dos anos 30Como no crash de 1929, o Brasil também foi um dos primeiros países a iniciar a retomada, mas errou no longo prazo
Diante da profundidade da crise internacional, a economia brasileira tem reagido de forma bastante positiva. Ainda que não seja uma "marolinha" (o PIB caiu 4,4%, a produção industrial caiu quase 10% e os investimentos caíram mais de 14%), o efeito sobre a economia brasileira tem sido menos drástico do que sobre a maioria das outras economias. Se, no curto prazo, nosso desempenho parece bom, o que devemos esperar para o longo prazo (crescimento e desigualdade)?
O comportamento da economia nesta crise decorre de um conjunto de políticas econômicas implementado desde o final dos anos 80. Entre estas, devemos destacar a abertura da economia, as privatizações (CSN, Vale, telefonia, energia, transportes, etc.), as reformas da previdência, ainda que incompletas, e do mercado de crédito, a política de ajuste fiscal, a geração de superávits primários, a redução da relação dívida/PIB, a política de câmbio flutuante e a autonomia operacional do Banco Central (BC).
Ainda que todos estes fatores sejam fundamentais, três deles merecem particular atenção: as privatizações, a queda da relação dívida/PIB e a autonomia do BC. Empresas estatais tendem a ser menos eficientes do que empresas privadas por razões estruturais. Portanto, a atuação do Estado deve se restringir àqueles setores em que, apesar de serem considerados fundamentais para o desenvolvimento do País, o setor privado não tem interesse em atuar. A privatização dos serviços de utilidade pública (telefonia, energia, transportes, etc.) foi particularmente importante para gerar ganhos de produtividade da economia.
Equilíbrio fiscal e relação dívida/PIB sob controle são fundamentais para que o serviço da dívida seja compatível com a capacidade de arrecadação do Estado. Caso contrário, a taxa de juros se torna muito elevada, gerando um ciclo vicioso que, no limite, pode levar ao calote da dívida, gerando desconfiança quanto à sustentabilidade do endividamento público.
A autonomia do BC é importante para evitar que o governo utilize a emissão de moeda para financiar seu déficit e gerar inflação. Inflação alta e menos previsível significa taxas de juros mais altas. Ou seja, Estado muito grande, desequilíbrio fiscal e inflação elevada geram aumento das taxas de juros. O principal efeito de taxas de juros mais elevadas, no longo prazo, é uma menor taxa de investimento. Como a taxa de crescimento da economia depende da taxa de investimento (em capital físico e em capital humano), o resultado é menor crescimento no longo prazo.
Manter estes fundamentos é essencial para que o País tenha um desempenho positivo quando a economia mundial retomar o crescimento. Na verdade, também em 1929, o Brasil foi um dos primeiros países a sair da crise. Enquanto a economia americana retomou o crescimento somente nos anos 40, já em 1933 o Brasil voltava a uma trajetória de crescimento positivo. Apesar disso, o desempenho de longo prazo da economia brasileira (nos 80 anos seguintes) não pode ser qualificado como muito brilhante.
Parte importante da explicação para esta má performance decorre de uma estratégia de crescimento que favoreceu o fechamento da economia, a excessiva participação do Estado, o desequilíbrio fiscal e a não autonomia do BC. A outra parte do resultado decorre da baixa importância que a sociedade brasileira deu à educação e a instituições microeconômicas pouco amigáveis ao investimento. Estas foram as lições que não aprendemos com a crise dos anos 30. Será que vamos aprender desta vez?
José Márcio Camargo é professor do departamento de economia da PUC/Rio e economista da Opus Gestão de Recursos

lunes, 6 de julio de 2009

BRASIL E O BRIC- ES HORA DE AVANZAR SOBRE LA CRISIS

É hora de avançar
Na comparação com seus parceiros do Bric, o Brasil apresenta muitas vantagens - avanço econômico sólido, energia de sobra, exportações diversificadas e democracia vigorosa. A crise pode abrir espaço para um novo salto (30/10/2008) .
Por Michael Reid
Há exatos dez anos, em agosto de 1998, a Rússia dava o calote em sua dívida e desvalorizava o rublo. Na visão de muitos investidores financeiros, o Brasil, com sua taxa de câmbio atrelada ao dólar e grande déficit em conta corrente, era o próximo da fila, a "bola da vez". Quatro meses depois veio a traumática desvalorização do real, que o governo Fernando Henrique Cardoso se esforçara muito para evitar, com um grande custo financeiro para o país. Muitos comentaristas viram na desvalorização a derrota do Plano Real e do empenho de FHC em estabilizar e modernizar o Brasil. Na verdade, ela marcou a consolidação da nascente estabilidade do país e criou o trampolim para o crescimento. Como chefe da sucursal da revista The Economist em São Paulo entre 1996 e 1999, convenci-me de que o Brasil estava engajado num processo de reforma democrática e modernização econômica que, apesar de lento, paulatino e cercado de problemas, era sólido e duradouro, como escrevi na época. Mas foi preciso quase uma década para esse esforço dar frutos e tornar-se visível para aqueles cujo conhecimento do Brasil se limita a estereótipos datados. Um primeiro revés surgiu em 2001, com os blecautes e as reverberações do colapso financeiro na Argentina. A conversão de Luiz Inácio Lula da Silva à causa da estabilidade econômica - uma contribuição vital para o sucesso do país - veio tarde demais para impedir outro surto de nervosismo financeiro em 2002. Para conter a decorrente elevação acentuada da inflação, foi preciso um ano de taxas de juro altas e estagnação. Depois, o escândalo do mensalão levantou o espectro da instabilidade política. Mais uma vez, o Brasil parecia ter um desempenho aquém de seu potencial - como sempre, o país do futuro distante. Há dois anos apenas, ainda era grande o ceticismo no exterior sobre a possibilidade de o Brasil realmente pertencer ao Bric, o clube de grandes países em desenvolvimento que, para economistas do Goldman Sachs, dominarão a economia mundial até 2030. Comparado com os outros - Rússia, Índia e China -, o Brasil era visto como uma tartaruga econômica, contida por uma taxa de crescimento morosa, altas taxas de juro, desempenho educacional fraco, infra-estrutura deficiente, desigualdades profundas, violência e uma dificuldade generalizada para fazer negócios. A maioria desses problemas é real. Mas o Brasil hoje se coloca entre os países do Bric mais por seus méritos comparativos que por seus defeitos. A China sempre será um caso à parte em razão de seu tamanho. Mas os protestos no Tibete e a violência em Xinjiang durante os preparativos para os Jogos Olímpicos foram um lembrete de que seu regime político autoritário esconde uma instabilidade potencial. Alguns analistas começam a perceber que, apesar de toda a força de suas empresas de alta tecnologia e sua elite que fala perfeitamente o inglês, a Índia ainda é muito pobre, não dispõe de uma infra-estrutura moderna e enfrenta conflitos religiosos. E, nos últimos meses, a Rússia lembrou ao mundo por que ela é uma aposta arriscada. Sua resposta brutal à malfadada tentativa da Geórgia de retomar a Ossétia do Sul afugentou investidores estrangeiros. O governo autoritário da Rússia a torna inerentemente imprevisível. E sua economia depende pesadamente de petróleo e gás natural. Agora, outra vez a moeda brasileira e a bolsa estão caindo. Desta vez, as causas do nervosismo são majoritariamente externas. Os próximos meses vão colocar à prova a estabilidade brasileira. Ainda assim, é preciso destacar que o Brasil tem, comparativamente, muitas vantagens. Seu crescimento econômico pode não ser espetacular, mas avançou solidamente. O nível atual de 5% pode parecer minúsculo comparado ao da China ou ao da Índia, mas o Brasil está crescendo sobre uma base muito superior: sua renda per capita está em 4 720 dólares, ante 2 010 dólares da China e 820 dólares da Índia, segundo dados do Banco Mundial. O Brasil já teve sua "fase chinesa", com crescimento em torno da média anual de 9% dos anos 50 aos 70, sustentado por uma combinação do trabalho de migrantes do campo com o capital industrial. Diferentemente da Rússia (e da Venezuela), o crescimento brasileiro não depende hoje de uma única commodity: suas exportações variam de minério de ferro, soja e suco de laranja a carros e aviões a jato. Acima disso tudo, o Brasil tem a possibilidade de vir a ser uma superpotência energética graças ao etanol de cana-de-açúcar e às novas descobertas de petróleo. Boa parte do crescimento está sendo gerada pela expansão da demanda doméstica. Isso é um tributo ao sucesso da estrutura política construída após a desvalorização de 1999, com taxa de câmbio flutuante, metas de inflação estabelecidas por um Banco Central operacionalmente independente e uma meta fiscal que envolve grandes superávits primários para reduzir gradualmente os encargos da dívida pública. Essas políticas provaram seu valor no ano passado, quando países de todo o mundo foram atingidos pelos demônios gêmeos de preços recordes do petróleo e escassez de crédito. Os investidores notaram a ação firme do Banco Central, elevando por diversas vezes a taxa Selic neste ano para enfrentar o aumento da inflação, induzido pelos altos preços internacionais do petróleo e dos alimentos. A aparente determinação do BC, a despeito dos uivos de protestos (de alguns setores do governo inclusive), oferece motivos para confiar num arcabouço firme e estável para o crescimento. A nova imagem internacional do Brasil não decorre apenas de seu crescimento, suas políticas econômicas e seus padrões de comércio. Também se deve ao fato de que, à diferença de China ou Rússia, o Brasil tem uma democracia cada vez mais robusta. O progresso social é palpável. A proporção de brasileiros vivendo na pobreza caiu de 48% em 1990 para 33% em 2006, segundo a Comissão das Nações Unidas para América Latina e Caribe. Pela primeira vez em décadas, a desigualdade está diminuindo de maneira consistente - ao contrário do que acontece na China e na Índia. E, como assinalou o economista Marcelo Néri, da Fundação Getulio Vargas, os jovens adultos agora entram na força de trabalho com três anos a mais de escolaridade do que no início dos anos 90. É essa combinação de crescimento estável, base diversificada de recursos naturais, política democrática relativamente previsível e progresso social que está criando uma sociedade de classe média que atraiu a atenção externa para o Brasil nos últimos dois anos. Essa mudança de atitude é simbolizada num aporte recorde de 35 bilhões de dólares em investimento estrangeiro direto no ano passado e na concessão de uma avaliação de crédito com grau de investimento no início deste ano. Isso se reflete também na decisão da União Européia de estabelecer "uma parceria estratégica" com o Brasil. Mas as tormentas das últimas semanas sublinham que ainda é cedo para os brasileiros cantarem vitória, pedirem outra caipirinha e irem para a praia. O desempenho econômico foi bastante favorecido, nos últimos anos, pela alta dos preços de suas exportações de commodities. Mas, com a economia mundial entrando em recessão, os preços das commodities estão em queda livre. Essa percepção já está enfraquecendo o real. Se fosse moderada e gradual, a desvalorização da moeda daria um benéfico impulso às exportações de não-commodities do Brasil. Mas é abrupta. Aumentará as pressões inflacionárias e poderá exigir a manutenção de taxas de juro relativamente altas por algum tempo. Isso, por sua vez, pode causar problemas a uma classe média cada vez mais endividada, cujo novo status ainda é frágil. O impacto no balanço das empresas significa que o crescimento desacelerará fortemente no próximo ano. Assim, seria útil que uma política fiscal mais dura desse "um pouco mais de ajuda" no combate à inflação, como observou recentemente o presidente do BC, Henrique Meirelles. Se há uma vantagem na crise, é a possibilidade de que o governo perca o sentimento de ter ganhado na loteria com o petróleo do pré-sal. Os grandes descobrimentos de petróleo induzem um senso de complacência de que os políticos precisam apenas "administrar a abundância", na notória frase de José López Portillo, presidente do México quando este descobriu um grande campo novo de petróleo. (López Portillo acabou presidindo a bancarrota de seu país em 1982.) Com o petróleo caindo para cerca de 50 dólares o barril, é evidente que a exploração do pré-sal será mais lenta. A crise pode também fazer com que os políticos percebam que o Brasil poderia estar muito melhor. O emprego formal vem crescendo, mas o código trabalhista de Mussolini, abrasileirado por Getúlio Vargas, continua condenando muitos brasileiros à pobreza e à baixa produtividade da economia informal. O governo ainda tira muito em impostos e dá muito pouco em serviços de qualidade em troca. O sistema de previdência social precisa ser reformado. As infra-estruturas de transporte e de energia elétrica precisam de mais investimentos. Sobretudo, a qualidade da educação continua desastrosa, como mostraram os testes do estudo Pisa, da OCDE, que avalia estudantes em mais de 60 países. E a violência pode ter começado a diminuir, mas continua assustadoramente alta. A combinação entre educação fraca e violência, a menos que seja enfrentada, limitará a queda da pobreza e da desigualdade. Não há dúvida de que o sistema financeiro internacional precisa de regulação mais forte e melhor. Mas, para o Brasil, o risco maior agora é que os políticos tirem conclusões erradas da crise. Com seu projeto de estatizar os fundos previdenciários privados da Argentina, a presidente Cristina Kirchner tem levantado o espectro de uma volta ao estatismo dos anos 70 na América do Sul. Se o Brasil tentar segui-la nesse caminho, estará jogando fora boa parte do que avançou na última década.
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domingo, 24 de mayo de 2009

CRISE BRASIL : REDUÇÃO DE INVESTIMENTOS

. Vale reduz em mais de um terço os investimentos de 2009. A Vale, segunda maior exportadora do país, reduziu em 37% seus investimentos anunciados para 2009 – de US$ 14,2 bilhões para US$ 9,03 bilhões. A mineradora diz que a revisão se deve à valorização do real, que reduziu seus custos e permitiu que fossem feitos aportes com menos dinheiro. Atrasos em licenças ambientais também teriam levado a um “stand-by” dos projetos. “A empresa não atribuiu à crise o corte de investimentos, mas é natural rever projetos em momentos de forte desaceleração do consumo global de minério de ferro”, diz a reportagem. Ainda mais quando a produção caiu 25,9% no primeiro trimestre de 2009, em comparação com os últimos três meses de 2008, por conta de uma “redução de demanda sem precedentes”, como informou a companhia.
5. Crise já abre brecha para corte na meta de inflaçãoO Valor Econômico (íntegra para assinantes) informa que o cenário de crise financeira global pode levar o Brasil a rever para baixo sua meta de inflação a partir de 2011 – há sete anos, levando em conta a projeção já feita até 2010, a meta está em 4,5%. O Conselho Monetário Nacional vai definir o patamar para 2011 no mês que vem, algo fundamental para o primeiro ano de mandato do governo pós-Lula. “A experiência de Israel, que aproveitou uma grave recessão no início da década para reduzir permanentemente seu patamar de inflação, é uma referência no debate dentro do governo”, diz a reportagem.
6. Emergentes podem sair da crise antes dos EUA, diz EconomistA respeitada revista britânica The Economist traz, na edição deste fim de semana, uma reportagem em que defende a tese do “descolamento”, segundo a qual os principais países emergentes (Brasil, China e Índia) podem se recobrar da crise financeira de uma forma mais rápida que os Estados Unidos. De acordo com a publicação, que reformulou uma teoria semelhante apresentada ainda em 2008, essas nações seriam menos dependentes do mercado americano do que se imaginava e estariam mais organizadas para contornar os problemas de outros parceiros. O principal exemplo é a China, que pode fechar o ano com um crescimento do PIB em torno de 8%.

miércoles, 13 de mayo de 2009

CRISE BALANZA COMERCIAL CON AMERICA LATINA

BALANÇA COMERCIAL AL - Apesar de toda ajuda, o Brasil perde mercado na ALA corrente de comércio, a soma de exportações e importações, entre o Brasil e os países da América Latina e Caribe despencou 31,8% no primeiro quadrimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2008.
O valor alcançado pelo comércio entre esses parceiros e o Brasil somou US$ 15,5 bilhões, exportações de US$ 9,25 bilhões e importações de US$ 6,25 bilhões de janeiro a abril deste ano, ante os US$ 22,6 bilhões nos mesmos meses do ano passado, com vendas brasileiras de US$ 14,02 bilhões e compras dos vizinhos de US$ 8,66 bilhões. Resultado: o superávit brasileiro com a América Latina caiu 40%, de US$ 5,33 bilhões para US$ 3,01 bilhões - os números são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A América Latina é o principal mercado brasileiro de produtos manufaturados. Segundo os dados da Secretaria de Comércio Exterior, cerca de 87% da pauta de exportação para esse destino é composta de produtos de maior valor agregado. No ano passado a corrente de comércio alcançou US$ 79,85 bilhões, com um superávit de US$ 22,5 bilhões. Esse quadro obviamente irá mudar, como mostram os dados do primeiro quadrimestre. Essa perda de densidade comercial tem razões bem definidas. A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) atribuiu parte da queda nas vendas dos produtos brasileiros ao bloco latino à forte perda de espaço comercial para os produtos chineses. Os dirigentes da AEB lamentam a frágil posição adotada pelo Brasil nesse comércio insistindo em que o País tem sido "generoso demais" com os vizinhos, sem maiores contrapartidas. A associação lembra, com razão, que a perda de exportações para a China representa "menos emprego para os brasileiros". É preciso observar também que essa queda na participação das vendas para os vizinhos é muito influenciada pela redução da demanda dos argentinos, o maior importador de produtos manufaturados do Brasil. A AEB reconhece que a crise internacional também atingiu o poder de compra dos vizinhos, mas a grande reclamação não se dá pela queda de demanda, natural no contexto, mas pela troca de fornecedor. A China ocupou o espaço do manufaturado brasileiro, empurrado para fora do mercado argentino por barreiras comerciais. Um bom exemplo dessas barreiras comerciais impostas por Buenos Aires foram as que atingiram as exportações de carros brasileiros. Os números da Associação Nacional dos Fabricantes de veículos Automotores (Anfavea) são reveladores dessa perda de mercado. A Argentina, segundo a entidade, era a maior cliente da indústria automotiva brasileira por já ter representado 40% das compras externas dessa indústria. É fato que o recuo nas importações argentinas de carros brasileiros começou em 2006, quando Buenos Aires ainda comprou 843 mil unidades do Brasil. No ano seguinte, esse número caiu para 789 mil veículos, e em 2008 foram 735 mil. Porém, desde setembro do ano passado, a desaceleração das compras argentinas foi muito acentuada. Em outubro a Argentina comprou apenas 69 mil carros do Brasil; em novembro o volume despencou para 50,4 mil e em dezembro recuou ainda mais, até 44 mil unidades. Em janeiro, os argentinos compraram 23 mil veículos brasileiros. As porcentagens de queda não são diferentes no caso de outros produtos da cadeia de duráveis e de semiduráveis. É curiosa a reação de Brasília frente a essa política de portas fechadas ao produto brasileiro pelo sócio do Mercosul. Na primeira semana de março, o Itamaraty incumbiu os empresários brasileiros de negociar com seus concorrentes argentinos acordos setoriais de redução dos embarques de produtos nacionais para aquele mercado. Essa política atende à iniciativa do Planalto de desarmar os setores do próprio governo que pretendem organizar represálias comerciais a cada barreira que Buenos Aires (ou outros sócios do Mercosul) impõe aos produtos nacionais. Desde 2004, o presidente Lula tem preferido uma política de conciliação a cada uma dessas provocações comerciais dos vizinhos. O resultado dessa conciliação está bem exposto na brutal queda do superávit comercial com a América Latina e Caribe. Curiosamente, ontem Brasília colocou à disposição do governo argentino uma linha especial de financiamento de US$ 1,5 bilhão, em regime de swap, para reforçar as combalidas reservas internacionais argentinas. Nenhum pedido de contrapartida em relação às exportações brasileiras foi feito. Não é por outra razão que todos os vizinhos apenas aceitam a "proteção" chinesa que impõe condições claras de retorno para abrir seus mercados às commodities latinas. Enquanto isso a venda de manufaturados brasileiros apenas encolhe.

BANCOS INOVADORES PARA A CRISE

Phelps quer criar bancos inovadores
Proposta anticrise do economista americano Edmund S. Phelps é criar uma nova classe de bancos, voltados a financiar investimentos empresariais inovadores. Phelps: "BC brasileiro é provavelmente um dos que possuem julgamento mais sólido"
Criar uma nova classe de bancos, voltados a financiar investimentos empresariais inovadores - essa é a proposta anticrise do economista americano Edmund S. Phelps, ganhador do Nobel de 2006. Em entrevista ao Valor, ele sugeriu que essas instituições deveriam receber subsídios para cada dólar emprestado.
Phelps apoia o plano de Obama, mas acredita que ele demorou para colocar os bancos "em pé, emprestando". E considera perigoso tentar tornar a economia mais inovadora por meio de iniciativas de agências governamentais, que estão longe da realidade comercial e são politizadas.
Ele diz que o Brasil sairá mais rápido da crise por causa da recuperação das commodities. E faz uma sugestão: "Não sejam muito duros com o Banco Central", porque na atual situação "é impossível fazer todo mundo feliz".